Como você analisa o interesse dos jovens pela música clássica?

É cada vez maior. O que o jovem precisa é de oportunidade e infelizmente falta muito isso no Brasil. A música clássica é um excelente instrumento para combater a miséria cultural que existe em grandes bolsões do nosso território. Tendo acesso aos concertos e compositores qualquer pessoa com o mínimo de formação vai adorar o gênero porque é a melhor música que jamais foi composta.

Qual sua avaliação sobre as orquestras goianas?

Goiânia é uma cidade que sempre teve um grande interesse pela música clássica e com uma escola de piano muito boa. O goiano é musical. Vocês têm uma orquestra que provavelmente é a que mais progride no Brasil. A Filarmônica de Goiás é uma das melhores. Não há dúvidas sobre isso. No meio compartilhamos da mesma opinião. É uma orquestra dirigida com grande competência e com muita qualidade de músicos. Tem uma gestão que funciona bem.

Qual o caminho para se tornar um grande músico?

É um caminho de muito estudo e de sacrifício. É preciso dedicação, amor pelo que faz e acreditar na música quase como se fosse uma religião. É um cenário bastante difícil e competitivo. Só gostar de música clássica não basta, é preciso ir além. Existe uma outra questão que é a sorte. Eu tive muita. Sou de uma família de músicos e isso facilitou. Só que quando a sorte bater na sua porta é preciso estar preparado porque geralmente ela aparece apenas uma vez.

O Brasil passa por uma crise econômica e política e isso coloca em risco muitos eventos culturais. Como você avalia o momento?

É uma crise que afeta todos os artistas e produtores. O orçamento da cultura é bastante pequeno e também dirigido de uma maneira muito ineficiente. É preciso ter uma verba digna e buscar uma forma eficiente no uso do dinheiro que tempos disponível para a área. O que não é novidade é que muitas vezes existem os apadrinhados que têm facilidades, às vezes injustificáveis. Não vou dizer que isso é um privilégio do Brasil, isso existe no mundo inteiro.