É preciso ir além das cotações de preço, das dicas dos amigos que já são pais ou daquela “googlada” na intenção de descobrir novidades em relação a metodologias de ensino. Na próxima segunda-feira as aulas começarão na maior parte das instituições de ensino e muitos alunos vão enfrentar uma mudança sempre significativa: a chegada a uma nova escola. Segundo especialistas, para o assunto a palavra chave é paciência. O sentimento também precisa estar ali durante os meses que antecederem a mudança e também no período de adaptação ao novo ambiente, com outros amigos, regras e professores. “A criança vai mostrar se não estiver ambientada, seja falando ou mudando comportamentos do dia a dia. Os adultos precisam estar atentos”, orienta a psicopedagoga Maria Cristina Lemos.Para garantir que não estava tomando a decisão errada, ainda no ano passado, a servidora pública Angélica Abadia, 41 anos, propôs que a nova escola fizesse um período de teste. Em novembro passado ajustou a rotina dos filhos, Davi, 8, e Lisa, 6, para que pudessem frequentar a nova instituição de ensino por uma semana. Nesse período ficou de olho no comportamento dos dois. Atenta para atitudes fora do habitual, como birras fora de hora ou condutas mais agressivas ou introspectivas. “Depois desse contato sentei com eles, perguntei como tinha sido a experiência e expliquei o motivo da mudança”, conta a mãe.Maria Cristina Lemos acompanhou o processo e destaca a importância de inserir os pequenos na decisão. “É preciso levar em conta a opinião deles, mesmo se tratando de crianças menores. Respeitar a individualidade de cada um ajuda em qualquer mudança, principalmente quando a transformação em questão envolve relações pessoais. Há quem, por exemplo, sofra ao deixar os amigos para trás. Tudo isso tem que ser conversado por muita honestidade.No caso de Angélica, a mudança veio para que os filhos tivessem um acompanhamento mais individualizado. “A escola é menor e acredito que os professores poderão dar mais atenção aos meninos”, explica, referindo-se a Davi, que ingressa agora no 3º ano, e Lisa, no 2º ano. Antes de bater o martelo, a servidora pública visitou a escola diversas vezes e desde junho passado inseriu o assunto no dia a dia da família. “Eles estão super animados e acredito que muito disto é resposta da forma como apresentei a mudança.”A sinceridade, segundo Maria Cristina Lemos, vai evitar que a novidade se transforme num gatilho de ansiedade, provocando na criança medo e insegura. “Os pais devem destacar os pontos positivos da mudança sem, é claro, ignorar que aquele será um período difícil”, orienta. A maior preocupação da psicopedagoga diz respeito aos alunos que irão ingressar no 6º ano, início do Fundamental 2, um novo ciclo de aprendizagem.Serão mais disciplinas, mais professores e aulas de menor duração. “Em algumas escolas, a mesma matéria é ministrada por até três pessoas. Como o Português, que se transforma em Gramática, Redação e Texto. Isto pode causar sensação de fragmentação”, pontua Maria Cristina. Ela destaca ainda que algumas crianças têm menos recursos emocionais para lidar com as mudanças. “Nesses casos, a escola precisa investir em atividades lúdicas e de integração social e dialogar com os pais.”Para manter a comunicação entre casa e escola sempre aberto, a orientação da psicopedagoga é que a escolha pela instituição de ensino que congregue com sua filosofia de educação. “Assim, ao longo do ano o risco de haver uma queda de braço entre as duas partes será menor”, aponta.