Muito antes das primeiras notícias sobre o novo coronavírus pipocarem mundo afora, esse já era um problema que preocupava especialistas de áreas que vão da psicologia à oftalmologia. Com a mudança brutal da rotina das famílias provocada pela quarentena, o tema voltou à tona: o risco do uso excessivo de aparelhos eletrônicos como tablets, celulares e videogames. Com as crianças fora da escola e proibidas de brincar em grupo, muitas vezes as telas acabam virando a única opção para mantê-las entretidas e ocupadas enquanto os adultos trabalham e fazem as tarefas domésticas.

Mas não são só elas que preocupam os especialistas. “O ser humano é um ser social, tem necessidade de comunicação. Muitas pessoas já fazem o uso de aparelhos eletrônicos para suprir esse anseio de comunicação no cotidiano, e agora, com o isolamento, essa passou a ser a principal forma de interação social e informação da maioria. Até mesmo aquelas pessoas que eram avessas à tecnologia estão se conectando e descobrindo as diversas possibilidades de interação das plataformas digitais”, ressalta o oftalmologista José Eduardo Simarro Rios.

Tablets, celulares, TVs e computadores passaram definitivamente a ser aliados nessa quarentena. Porém, ficar 24 horas ligado nos aparelhos eletrônicos pode trazer problemas, em especial à saúde dos olhos. “O excesso de uso traz também os malefícios da exposição da luz azul que esses equipamento utilizam, além de levar a uma maior necessidade de utilização dos músculos envolvidos durante o esforço visual”, reforça o oftalmologista. Os olhos acabam sentindo o excesso e reclamam.

Dores de cabeça no final do dia ou após tempo prolongado do uso de celulares ou computadores, sensação de ardência e “areia” nos olhos, coceira e aspecto avermelhado, além de lacrimejamento e fotofobia - dificuldade para enxergar em ambientes claros - são alguns sinais clássicos de que o uso deve ser maneirado. Procurar um ponto de equilíbrio entre o uso das telas e um período de descanso seria o ideal. Lembrar de piscar também é super importante para manter a lubrificação natural do olho.

“É possível, sim, diminuir os danos causados pelo uso excessivo de aparelhos eletrônicos. Vale aqui a máxima que é melhor prevenir do que remediar. Além dos intervalos na utilização dos equipamentos, é possível ativar modo de redução da luz azul nos mais modernos. Nos casos indicados, o paciente pode fazer o uso de óculos de grau com proteção contra luz azul”, orienta José Eduardo. Outra dica importante, principalmente para quem tem trabalhado no computador em casa, é manter uma distância de 35 a 40 cm da tela, pois a proximidade exagerada leva a um maior esforço acomodativo que pode provocar desconforto.

Os especialistas em visão são unânimes em alertar que, mesmo que a pessoa sinta desconforto nos olhos, ela não deve, assim como os demais medicamentos, usar colírios sem a indicação do oftalmologista. A automedicação pode trazer graves consequências. Os colírios devem ser usados sempre sob prescrição médica. Muitos produtos que causam complicações oculares sérias ainda são vendidos sem receitas, como os que contêm corticoides. Na dúvida, é sempre melhor seguir a orientação do seu médico.