Uma igreja fundada no século 18, um cenário histórico rico e uma comunidade preocupada com a preservação de seu patrimônio. Os ingredientes da receita que levaram à criação do Museu Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França em Corumbá de Goiás, cidade histórica a cerca de 110 quilômetros de Goiânia, não poderiam ser mais propícios. O resultado será celebrado hoje, com uma solenidade no próprio local, que vai sacralizar a musealização da Matriz dos corumbaenses.

Fruto de um processo intensificado com uma grande restauração da edificação entre os anos de 2012 e 2015, a transformação da igreja em museu teve esforço do trabalho da Associação de Cultura e Defesa do Patrimônio Histórico de Corumbá (ACDPHCG), da Diocese da região e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Esta última entidade, vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), havia tombado o prédio da igreja como Patrimônio Cultural Brasileiro em 2004.

Dando os primeiro passos como museu, a Matriz recebe a partir de hoje a mostra permanente de obras sacras do século 18, entre imagens e outros objetos. A igreja já expunha algumas peças sacras do período colonial, que eram usadas para os cultos religiosos, mas só agora ganha peças definitivas para exposição, conforme explica uma das responsáveis pelo musealização da igreja Ana Ruth Fleury, diretora na ACDPHCG.

Isso quer dizer, que objetos sacros e litúrgicos, cânticos em latim e vestias tornaram-se oficialmente peças de exposição, que necessariamente devem ser conservados com um acervo instituído. O projeto de musealização recebeu um incentivo portentoso de R$ 100 mil do Fundo Estadual de Cultura de Goiás para esse processo, que foi acompanhado de perto também por técnicos e dirigentes do Iphan.

Preparação

A musealização foi viabilizada, em parte, graças ao engajamento da comunidade e à doação de dinheiro angariado com o lançamento do livro Alma Estação Outono, de Ana Ruth Fleury. A partir deste empenho, a iniciativa ajudou a remunerar um técnico para preparar o projeto inscrito e aprovado para receber os recursos do Fundo Estadual de Cultura.

De acordo com Ana Ruth, a transformação da igreja em museu não vai tirar do espaço a característica de centro religioso. Em outras palavras, quer dizer que o Museu também continuará sendo a Igreja Matriz da cidade, com todo o calendário litúrgico e celebrações religiosas inalterados. A maior parte das peças que integram a exposição permanente ficará localizada em uma construção anexa à nave principal da edificação religiosa, sempre aberta a receber visitantes.

A proposta do novo museu goiano fará um passeio pela história de Corumbá, mostrando a tradição e a fé do povo. Entre as peças integrantes do acervo estarão imagens e objetos, além de referências a hábitos e celebrações imateriais, como motetos, Canto da Verônica e as Sete Palavras.

A inauguração do espaço hoje, marcada para se iniciar às 16 horas, contará com a apresentação do grupo Vozes de Corumbá, a Corporação Musical 13 de Maio e o cantor Barretinho. O intérprete compôs uma apresentação musical inspirada em Nossa Senhora da Penha de França especialmente para a inauguração. Para a visitação, o museu vai funcionar de terça-feira a domingo, das 8 às 16 horas, com entrada gratuita. (Guilherme Melo é estagiário do convênio entre o Grupo Jaime Câmara e a Faculdade Araguaia. Com supervisão de reportagem e texto de Rodrigo Alves)