Desde o início do século 20 ele vai e volta. Perdendo espaço para o biquíni ou caindo no gosto das mulheres com o estilo engana-mamãe, aquele parcialmente fechado na frente e completamente aberto nas costas, o maiô leva vantagem no quesito versatilidade. A peça, que pode ser usada na piscina e continuar no corpo como um body (espécia de regata justinha), está novamente na lista de queridinhos para o verão 2018. Desta vez decotes inusitados, recortes assimétricos, estampas gráficas, babados, drapeados e modelagem estilo anos 1980, os famosos “cavadões”, prometem fazer a cabeça das mulheres. À frente da marca goiana Lille Beachwear a designer de moda, Aline Carneiro aposta ainda na volta do macramê, técnica artesanal de trançado.

Ela lembra que o feito à mão esteve presente no desfile de Lenny Niemeyer, durante a 44ª edição do São Paulo Fashion Week. A estilista paulista é uma das mulheres que ditam a moda beachwear no Brasil e nessa coleção também investiu em golas altas, tiras trançadas, decotes nada tímidos e modelos de um ombro só. Nas estampas, degradês, referências místicas e geometrias sutis. Já a estilista cearense Liana Thomaz, assinando a coleção da Água de Coco, levou para a passarela peças inspiradas na Ilha de Bali, com fortes referências ao artesanato local.

“O maiô vem voltando desde 2016 e, aos poucos, se transformou em uma peça do dia a dia. Pode ser usado com calça pantalona, por exemplo, para um evento noturno”, defende Aline. Ela afirma ainda que essa pode ser uma opção para a academia ou para um passeio mais despojado, quando combinado com jeans. “Isso tudo se deve muito à diferenciação das modelagens”, completa. Mas a designer de moda enxerga na mudança de posicionamento da própria mulher um passo importante para a transformação da moda. “Durante muito tempo elas queriam variar apenas a estampa, usando o mesmo modelo para facilitar a manutenção da marquinha do bronzeado. Agora, estão mais ousadas.”

Peças com amarrações na cintura, cuja parte debaixo é mais justinha e a parte de cima aparece levemente solta, são verdadeiras apostas de Aline. “Os ombros à mostra veem com tudo também. Assim como os decotes profundos em V maiúsculo, um clássico da moda”, adianta. A designer não mostra a mesma certeza em relação ao xadrez Vichy, estampa mais simplificada, com divisão de cores e espaçamentos bem definidos, que chegou forte nas passarelas no ano passado. “Tenho minhas dúvidas em relação ao Vichy. A tendência veio muito forte, as pessoas super aderiram, mas não sei se dura muito tempo.”