Os troféus e medalhas esportivas dos anos 60 se tornam agora objetos de decoração. Antigos instrumentos musicais da fanfarra são relíquias de um tempo que passou. Fotografias em preto e branco revelam a arquitetura de um espaço que sofreu poucas modificações ao longo da história. O Lyceu de Goiânia pode não ser um museu, mas guarda a memória dos primeiros anos da então nova capital de Goiás. Localizado no Centro da cidade, a escola secundária completou no último dia 27 80 anos em solo goianiense, como um marco no processo de ensino do Estado.

O ano era 1937 quando o Colégio Lyceu de Goiás saiu do prédio em que era ocupado, no centro histórico da cidade de Goiás, e foi parar em uma Goiânia ainda em processo de construção. Na época, o urbanista Attilio Corrêa Lima projetou um edifício que integrasse salas de aula, quadra de esportes, pátio para festividades e ensaio de bandas, tudo incorporado ao art déco, estilo que fez parte da concepção da capital goiana. Tombado como Patrimônio Histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2003, junto com prédios como o Grande Hotel e o Teatro Goiânia, hoje o Lyceu atende a mais de 300 alunos, que estudam em tempo integral.

“É um lugar cheio de desafios, mas com muitos privilégios. O colégio motiva os alunos, desenvolve e aprimora os talentos. Aprendi a conviver com todo tipo de gente”, aponta a estudante do 3ª ano Mariane Silva, de 20 anos, que está deixando o colégio neste ano. Ao longo dos últimos três anos, todos os dias ela pegava o ônibus às 4 horas, em Aragoiânia, sua cidade natal, para passar o dia na escola. De acordo com ela, o colégio fez com que se descobrisse enquanto fotógrafa. “Prestei vestibular para Cinema e Audiovisual depois de manter contato com fotografia, artes cênicas, produção de cinema. Foi um aprendizado único”, explica.

Além das disciplinas tradicionais, como língua portuguesa, matemática e história, o Lyceu ainda colabora para aprendizados extracurriculares, como teatro e dança, cinema, música, educação física. “São nessas aulas que os alunos se descobrem arquitetos, atores, instrumentistas”, comenta Mariane, que agora se prepara para se despedir. “O colégio ensina o aluno a conviver com pessoas diferentes e a manter amizades. Tenho amigos que fiz há três anos que, mesmo não estudando mais, levamos para o futuro”, reflete.

Militarização?

“O Lyceu de Goiânia é um espaço diverso, plural, cheio de história. Os alunos se sentem em casa e há uma constante para que novos projetos de formação integrem a escola”, garante o diretor do centro educacional, Ricardo Marques Pinto. Ele está à frente da escola há pouco mais de três meses. De acordo com ele, os professores e coordenadores do colégio têm trabalhado de forma mais aberta sempre priorizando arte, educação e esporte para um melhor aprendizado dos alunos. “Temos grupo de teatro, uma extensa programação esportiva, banda, grêmio. É um universo muito rico”, ressalta.

Recentemente correu entre comerciantes das cercanias, como os do Banana Shopping, e de moradores de prédios vizinhos das ruas 20 e 21, o que seriam abaixos-assinados a favor da militarização do Lyceu. A justificativa se fiava na falta de segurança da região e os casos de furto e roubo que vira e mexe são vistos no Centro. “Não existe a menor possibilidade de militarizar o ensino do Lyceu. É uma escola histórica, que faz parte da memória de Goiás. O que deve ser feito é um melhor policiamento na área externa do colégio, respeitando o seu interior”, reitera Marques.