Linda, loira e rica são alguns dos adjetivos utilizados pelo jornalista Ullisses Campbell para descrever Suzane Louise Von Richthofen na biografia não-autorizada Suzane: Assassina e Manipuladora. Suzane tornou-se nacionalmente conhecida em outubro de 2002 quando, junto com o ex-namorado Daniel Cravinhos e o irmão dele, Cristian, assassinou seus pais, Manfred e Marísia Von Richthofen, dentro do quarto do casal, na mansão da família, no bairro de Campo Belo, zona sul de São Paulo. A história também vai ganhar as telas dos cinemas (leia nesta página).

A publicação, que chegou às bancas em janeiro, já está envolvida em pelo menos duas polêmicas. Na primeira, a juíza Sueli Zeraik Armani, do Tribunal de Justiça de São Paulo, vetou a publicação do livro. Em sua determinação, ela afirmou que a obra “traria prejuízo irreparável à imagem de Suzane”. No entanto, Alexandre Morais, ministro do Supremo Tribunal Federal, derrubou a decisão 37 dias depois.

A outra polêmica seria o fato de o autor dar um ar de romantismo ao livro. Ullisses explica logo no início que a obra é inspirada no repórter americano Gay Talese, considerado um dos pioneiros no jornalismo literário. Ele também deixa claro que a biografia não autorizada trata somente a partir do crime ocorrido em 31 de outubro de 2002. No entanto, ele informa que, para falar sobre as mortes de Manfred e Marísia, é necessário contextualizá-las. Com isso, ele mescla entre os capítulos detalhes do crime e da convivência de Suzane com os pais, o irmão e a família Cravinhos.

A família Von Richthofen, de classe média alta, é apresentada como conversadora. Manfred e Marísia são descritos como frios, distantes dos filhos e controladores. Mas é importante lembrar que o pai era alemão naturalizado brasileiro e Marísia, de ascendência portuguesa e libanesa, e por isso possuem tradições de convívio familiar diferente da dos brasileiros, que são conhecidos como calorosos. Enquanto isso, Suzane é retratada com uma menina que frequentou ótimas escolas e fala três idiomas fluentemente. Na época do crime, ela cursava Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Ao longo da biografia, Ullisses também aborda os testes de Rorschach, conhecidos como teste do borrão de tinta, pelos quais a parricida foi submetida ao longo dos anos na tentativa de cumprir o restante dos 39 anos de condenação em liberdade. Em um deles, com a ajuda de um advogado, ela conseguiu acesso a um livro que explicava como o teste era aplicado. No entanto, foi desmascarada logo após o início do exame. Os laudos definiram Suzane como “vazia, infantilizada, manipuladora, desvalorizadora do ser humano, dissimulada, egocêntrica e narcisista”.

Os apuros e os romances de Suzane também estão presentes na obra, como o namoro com Sandra Regina Gomes, a Sandrão, anos depois descartada por ela. Ao final, o autor conta como a parricida conseguiu convencer a família do atual noivo, Rogério Olberg, irmão de uma detenta, que é outra pessoa, pois teria planos de se casar com ele, mudar o sobrenome e ter filhos assim que deixar o presídio.

Livro: Suzana: Assassina e Manipuladora

Autor: Ulisses Campbell

Editora: Matrix

Páginas: 280

Preço: R$ 57