Cacá Diegues fez Veja Esta Canção. Pouco antes, e já debaixo de dificuldade, havia feito Dias Melhores Virão. Eles vieram. Cacá seguiu filmando. Tieta do Agreste, Orfeu, Deus É Brasileiro, O Maior Amor do Mundo. O caso de O Grande Circo Místico é especial. Com a cumplicidade de George Moura no roteiro, Cacá criou uma história a partir do poema de Jorge de Lima. Literatura e música sempre nutriram seu cinema. As adaptações e a qualidade dos roteiros o levaram à Academia Brasileira de Letras, na vaga de Nelson Pereira. “Tentei ser músico, estudando piano e violão, mas não tenho mãos boas. Mas sempre tive ouvido, e soube falar com os músicos a linguagem deles, para pedir as trilhas que queria nos filmes.”

O Grande Circo Místico era uma parceria com a Europa. Tinha efeitos que não saíram como Cacá queria e foram refeitos. No processo, sua filha Flora ficou doente. Lutou bravamente, mas não resistiu. Morreu no ano passado, aos 32 anos. Cacá parou tudo para ficar ao lado dela. Não tinha cabeça para mais nada. Para complicar o que já estava difícil, houve a crise do euro. A moeda disparou. O custo em euros, mesmo abaixo do previsto, estourou a previsão em reais. Cacá até agora não conseguiu resolver o imbróglio.

Na eleição presidencial, seu candidato não era o que venceu, mas ele ganhou no voto popular. Havia de respeitar. “Agora, virou esse horror.” Cacá fala da pandemia e do governo. No ano passado, submeteu à Ancine dois projetos: Deus Ainda É Brasileiro e O Último Imperador do Brasil, sobre d. Pedro II, roteiro que herdou de Nelson Pereira. Ambos foram rejeitados. Deus Ainda É Brasileiro tenta dar conta de tudo o que ocorreu no País desde a estreia do primeiro, há 17 anos. Foi escrito por seu colega da ABL, Geraldo Carneiro, mas foi defenestrado como sem qualidade.

Cacá queixa-se da gestão de Christian de Castro na Ancine, que foi danosa para o cinema brasileiro em geral e, para ele, nem se fala. Chegou a pensar que era perseguição, para forçá-lo a deixar de filmar, mas tinha outra prioridade, a filha. Nada disso, porém, conseguiu prostrá-lo. Cacá vai voltar. Deus, afinal, ainda é brasileiro.