Contagem regressiva para a fama. A advogada e maquiadora paraibana Juliette Freire, de 31 anos, deve ser consagrada nesta terça-feira como a maior estrela de todos os tempos do Big Brother Brasil, da Globo. Na final da 21ª edição do programa, apresentado por Tiago Leifert, ela disputa a preferência do público com o ator e cantor Fiuk e a digital influencer Camilla de Lucas. É possível também que ela se torne a campeã com a maior aceitação da história do programa – posto até agora de Diego Alemão, que venceu o BBB 7 com 91% dos votos.

O BBB 21 foi histórico e ganhou o status de Big dos Bigs por conta do elenco recheado de personalidades, caso de nomes do underground como Projota e Karol Conká, do sertanejo Rodolffo, do cantor e ator Fiuk e da atriz Carla Diaz. A receita de misturar famosos com anônimos no confinamento deu tão certo em 2020 que foi ampliada nessa nova edição que bateu vários recordes. Do ranking dos mais rejeitados da história, por exemplo, Karol Conká (99,17%), Nego Di (98,76%) e Viih Tube (96,69%), se tornaram os três primeiros.

O campeão do BBB 21 vai levar R$ 1,5 milhão. No caso de Juliette, muito mais que isso. A paraibana tornou-se um fenômeno nacional. O primeiro impacto foi nas redes socais. Nenhum confinado até hoje conseguiu tantos seguidores numa edição quanto a nordestina. Ela entrou com pouco mais de 3 mil fãs no Instagram e vai deixar a competição com mais de 23 milhões, deixando para trás nomes como Rafa Kalimann. Na publicidade, empresas já declararam que querem associar a imagem dela com suas marcas.

Tudo que Juliette usa ou fala repercute milhões de vezes fora da casa. Quando ela revelou que deu um beijo no ator Thiago Rodrigues, ele ganhou quase 150 mil seguidores. Quando cantou a canção Carinha de BBzinha, do piauiense Anderson Rodrigues, a faixa tornou-se uma das mais buscadas nas redes sociais. O engajamento (interações como curtidas, comentários e compartilhamentos) também impressiona. Ela é dona da postagem mais rápida a atingir 1 milhão de likes no mundo, deixando para trás a cantora Billie Eilish.

Na música, Luan Santana, Chico César, Wesley Safadão, Maria Gadu, Maiara & Maraisa e Felipe Araújo manifestaram o interesse em fazer uma parceria com a paraibana que mostrou seu dom no BBB 21. Ela, inclusive, ganhou uma música, Juliette, Mon Amour, lançada pelo baiano Carlinhos Brown, na semana passada nas plataformas digitais. Provavelmente, muitas gravadoras estarão aos pés da nordestina. Mas, caso ela não queira, com certeza não vão faltar propostas para aparecer em novelas da Globo, assim como foi com Grazi Massafera.

Juliette conseguiu tornar-se a namoradinha do Brasil graças ao seu carisma, simplicidade e autenticidade. Ela começou a figurar como uma das candidatas ao prêmio logo no início do BBB quando em vários momentos foi rejeitada pelos os outros confinados que votavam frequentemente nela e davam as piores plaquinhas nos jogos da discórdia. Aos poucos, o Brasil foi se apaixonando pelo seu jeito e sotaque. Outra característica que conquistou milhões foi a espontaneidade. Ela fala o que pensa, sem medo.

Final

O último paredão do BBB 21 reservou uma grande surpresa ao público com a eliminação do economista Gilberto, o Gil do Vigor, com 50,87% dos votos, em disputa apertada com Camilla de Lucas (47,65%). Juliette recebeu apenas 1,48% dos votos. Muita gente acreditava que ele poderia ser o único rival com chances de ameaçar a paraibana na final, tanto que durante o discurso de eliminação, Leifert disse que muita gente acharia injusto o resultado da noite. Gil conquistou o Brasil com suas explosões, lágrimas e “cachorradas”.

A eliminação de Gilberto também serve como termômetro para medir a força de Juliette nas redes sociais. Em nenhuma pesquisa de intenção de votos, o economista aparecia como o preferido do público para deixar a casa no último paredão – posição ocupada por Camilla de Lucas. O mutirão para eliminar o pernambucano puxado pelos administradores do perfil da maquiadora fez a diferença. A decisão de apoiar a saída do economista foi uma estratégia para evitar qualquer risco de derrota de Juliette, mas foi muito criticada pelos seguidores.

Fiuk chegou até a final após vencer a última prova do reality e assim escapou do paredão que poderia ser o da sua eliminação, já que ele não era favorito. O discurso do ator para justificar porque merece ser o campeão tornou-se mais um meme. “Sou muito grato de estar aqui. Ao contrário do que muita gente pensa, tive vários problemas, tive de vender minha guitarra, meu carro, instrumentos de trabalho, até computador, principalmente na pandemia. Arrisquei minha vida.”

Já Camilla cativou o público ao formar elo com o professor João Luiz e por ser uma das vozes contra o racismo. Ao longo da temporada, ela seguiu o conselho de Leifert de fugir do paredão e quase escapou da berlinda, sendo indicada pela primeira vez só no 15º paredão. Ela deve ser a rival de Juliette na final, que contará com apresentações de Karol Conká, Projota, Pocah e Rodolffo ao lado do parceiro Israel.

Goianos no “BBB”

Três goianos participaram da 21ª edição do Big Brother Brasil e, em nenhum momento do jogo, figuraram como favoritos para chegar à final. O primeiro eliminado do trio foi o sertanejo Rodolffo, com 50,48%. A saída do cantor foi motivada depois de declarações apontadas como machistas, homofóbicas e racistas dentro da casa. Em seguida, Thaís deixou o confinamento com 82,29% dos votos. Pesou contra a dentista a falta de posicionamento, o que rendeu a ela o título de “planta” da edição por muitos telespectadores.

Já o fazendeiro Caio teve 70,22% e saiu na reta final do reality. No confinamento, ele chamou muita atenção no início por aparecer como um personagem engraçado e pela forte amizade com Rodolffo. Mas depois que sofreu uma lesão e precisou ficar com o pé imobilizado, o brilhou se apagou.