O disco The Dark Side of the Moon de Pink Floyd, as obras de Manoel de Barros e as aventuras do aviador americano Charles Lindbergh servem de pretexto e inspiração para os espetáculos do Grupo Sonhus Teatro Ritual. Fruto de um projeto pioneiro que começou na década de 1990 com até então alunos do Colégio Lyceu, no Centro de Goiânia, hoje o Sonhus comemora 22 anos de referência em teatro e educação. As comemorações são gratuitas e ocorrem a partir de 20 horas no Evoé Café com Livros.

Exposições visuais, pocket show e performances de esquetes de espetáculos integram as festividades, que fazem uma espécie de resumo das duas décadas de vivência da companhia. Também serão expostos no Evoé Café com Livros apresentações resumidas, monólogos, peças de figurino e fotografias de bastidores. “A comemoração é uma forma de sairmos do espaço físico e ocupar diferentes pontos culturais da cidade”, explica o professor e idealizador do Espaço Sonhus, o teatrólogo Nando Rocha.

Com foco no teatro físico, de mímica e animado, com dança contemporânea, circo, danças populares e teatro-dança ocidental e oriental, o Grupo Sonhus se especializou em unir artes cênicas e educação. O resultado é bastante produtivo. A trajetória da companhia conta com a realização de oficinas, cursos e espetáculos como Travessias, As Aventuras de Pendú e Camí, A Força da Terra, Setemundo e A Fantástica Máquina Humana.

Ao lado da equipe do Colégio Lyceu, o Sonhus atende os 300 alunos da escola de tempo integral, de forma direta e indireta, seja no corpo cênico, na plateia ou nas aulas semanais de teatro. “Quando a gente sai da escola, é como se nunca mais precisássemos pisar mais uma vez em um colégio. O que não é verdade. Escola não é presídio. As pessoas precisam manter um contato ativo e pessoal com espaços de aprendizado. Ainda mais o Lyceu, que é um ponto histórico de Goiânia”, comenta Nando.

O Grupo Sonhus já esteve em palcos de diferentes países, como França e Espanha. Anualmente, a companhia também promove o Encontro de Atores Criadores com workshops, palestras, debates e apresentações de artistas referenciais. Há ainda as publicações do livro O Ritual do Ator em Grupo, escrito por Nando Rocha, e três edições da Revista Encontro Teatro, com artigos de profissionais de todo o País.

“A ideia do Grupo Sonhus é promover uma conscientização coletiva sobre o que é o teatro hoje e o que isso implica na juventude”, explica Nando. Para o teatrólogo, no cenário escolar em que é cada vez mais difícil manter a atenção de jovens e adolescentes pós era digital, o teatro é uma forma de se ensinar coletividade e concentração. “Existe sempre um desafio para cada geração. O teatro talvez seja a principal forma de se manter um contato íntimo e intrínseco com memória, identidade e cultura”, aponta.