Saem as acrobacias e pirotecnias e fica a essência. Depois de quase três anos longe de Goiânia, o grupo O Teatro Mágico está de volta em formato acústico. No palco, apenas o vocalista e criador da trupe, Fernando Anitelli, no espetáculo O Teatro Mágico – Voz e Violão, que será apresentado nesta sexta-feira, às 21 horas, no Teatro Madre Esperança Garrido. O show compila obras registradas em sete discos, em 15 anos de carreira, de uma companhia que se consolidou por uma estética própria, unindo música às artes performáticas.

A ideia de simplificar a apresentação surgiu em 2017. O que no começo era para ser apenas experimental, virou um sucesso, que atingiu a marca de mais de 150 apresentações por todo o Brasil e rendeu um DVD gravado no Sesc Palladium, em Belo Horizonte. “Retiramos tudo e deixamos um banquinho, um violão, sem efeito algum, a canção, a harmonia, a palavra na sua essência e o público. Tem muita gente que gosta mais desse formato porque é mais visceral”, comenta Fernando Anitelli, em entrevista ao POPULAR.

A previsão inicial era de apenas dez shows, mas a turnê já completou dois anos e vem sendo realizada paralelamente com os projetos do Teatro Mágico, que em janeiro de 2017 surpreendeu os fãs com o anúncio de uma nova turnê. Os integrantes estão preparando o retorno com a trupe completa e também estão gravando novo disco, que deve ser lançado no primeiro semestre de 2020. “É um projeto fabuloso, cheio de vida, com oxigênio, é um coração que pulsa cada vez maior. Estamos animados com a nova temporada”, vibra Anitelli.

Segundo o criador do grupo, a turnê acústica era o único projeto que faltava na trajetória e marca uma volta às origens. O início da trupe foi com o disco Entrada para Raros, lançado em 2003, inspirado na leitura do livro O Lobo da Estepe, de Herman Hesse. Os primeiros shows foram inclusive em voz e violão. “Quando pensamos no palco, inserimos outros instrumentos e modalidades artísticas para que pudéssemos conceber essa outra fase nas apresentações ao vivo. A partir daí, apostamos em figurinos, grandes cenários e vários sons”.

O repertório conta com grandes sucessos da trupe, desde o primeiro disco até Allehop, o último álbum, que foi lançado em 2016. Pena, Camarada d’Água, Deixa Ser, Quando a Fé Ruge e Perdoando o Adeus são algumas das faixas que fazem parte do show, que tem cerca de 90 minutos. Já o frescor fica por conta de músicas como Quantas Mais, composta em homenagem à vereadora Marielle Franco, morta a tiros em março de 2018 no Rio de Janeiro. “O momento que o País vive está nas nossas composições”, lembra Anitelli.

Interação

Além disso, no espetáculo, o artista abre o microfone para que os fãs possam participar com poesias e canções. “A gente não sabe o que acontece. Por isso, cada show é distinto um do outro. Trato como uma peça de teatro em que faço provocações contemporâneas”, ressalta Anitelli. A turnê nasceu em um momento de pausa do grupo. Em dezembro de 2016, a trupe anunciou que pararia por tempo indeterminado. O cansaço físico exigido em cada apresentação foi o fator determinante.

O contato mais próximo com o público sempre fez parte da história do Teatro Mágico. Pioneiros na divulgação na internet, a banda já em 2003 utilizava as redes e recursos disponíveis para mostrar a arte produzida e também para disponibilizar as músicas gratuitamente. Anitelli explica que essa foi uma forma de democratizar a arte. “A ideia era tornar a cultura acessível e formar o nosso público. Claro que não é fácil viver de forma independente, mas ganhamos com shows e vendas de produtos nas nossas apresentações”, ressalta.

Show: O Teatro Mágico – Voz e Violão

Data: Sexta-feira, às 21 horas

Local: Teatro Madre Esperança Garrido – Alameda Contorno, nº 241, Centro

Ingressos: R$ 110 (plateia inferior, inteira) e R$ 90 (plateia superior, inteira)

Informações: eventim.com.br