A esplanada do Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON) não será mais a casa de shows, de festivais de rock, de reggae e rap, de exposição de carros antigos ou de gastronomia. A informação foi publicada na edição desta segunda-feira do Diário Oficial de Goiás em decreto que proíbe a realização de qualquer evento, de natureza pública ou privada, que necessite de montagem de estrutura de palco, equipamentos de som e apresentações ao vivo. A restrição não se aplica aos espaços internos, como o Palácio da Música.

Ainda de acordo com o decreto, nenhum ponto de energia elétrica do centro cultural poderá ser disponibilizado para a realização de eventos, sob pena de responsabilidade do agente público. Acidentes com choques elétricos por causa de fios energizados que estavam expostos no chão já aconteceram durante shows na esplanada.

Em nota, a Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) informa que o decreto é uma medida de proteção e preservação do complexo cultural projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer para Goiânia. “A secretaria esclarece que trabalha para que o funcionamento do CCON concilie o interesse da comunidade com as orientações técnicas e para que o espaço possa cumprir seu papel de polo de difusão cultural.”

Entre as razões que motivaram o decreto, segundo apurado pela reportagem, estavam uma recomendação da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) para evitar danificações no piso, como rachaduras e infiltrações; reclamação de som alto pela vizinhança; e falta de estacionamento durante os grandes eventos.

Nos últimos três anos em que esteve em funcionamento, o CCON recebeu quase 40 eventos, entre eles o Bananada, Cerrado Mix e Arraiá do Cerrado. Desde julho, o espaço está parcialmente fechado por conta de reformas e a previsão de conclusão das obras é para o primeiro semestre de 2018.

Repercussão

A notícia da proibição da utilização da esplanada não agradou produtores culturais. Para Leonardo Razuk, um dos organizadores do Goiânia Noise Festival, proibir os eventos na esplanada é um “equívoco” e que deveria ser feita regulamentação em relação ao uso. “Goiânia está andando para trás em termos de cultura e eventos, de todos os tipos. O espaço é multiuso e precisa cumprir sua função”, ressalta. O Niemeyer já recebeu cinco edições do Noise.

Opinião compartilhada também pelo produtor Fabrício Nobre, responsável pelo Festival Bananada, evento que foi realizado cinco vezes na esplanada do CCON. Ele ficou “frustrado” e “descontente” com o decreto. “Não tenho o que falar. O espaço está sendo reformado para não ser utilizado? O que a população, especialmente os seus agentes culturais, ganham com essa decisão? Existe algum benefício com esse espaço?”, questionou.

Para João Lucas, produtor responsável pelo festival Vaca Amarela, evento realizado quatro vezes no CCON, o decreto é mais um dos “inúmeros obstáculos” para se realizar festival em Goiânia. “Fico desapontado, mas não surpreso. Está cada dia mais difícil fazer cultura em Goiás. Quase impossível. Cada dia é um 7 a 1 novo. O CCON nunca funcionou em plenas condições.”