Que balanço você faz desses dez anos de carreira, completados em 2017?

Se a gente faz algo com verdade, dá certo. Cantar sempre esteve no meu sangue. Nasci cantando. Quando a coisa é verdadeira, é recíproca com os fãs, a galera percebe isso. E acaba se identificando com o que você faz, com o que você pensa. O balanço desses dez anos não é diferente. É de muita batalha, empenho e dedicação.

A carreira internacional volta a ser o seu foco, já que em 2017 você trabalhou também com o cubano Alejandro Pérez?

Não se trata de uma aproximação ao mercado latino, se trata de uma manifestação de que também somos latinos, de que a nossa música pede passagem. Como diz naquele samba: “Chegou a hora desta gente bronzeada mostrar o seu valor”. Não quero me sentir na obrigação de cantar em inglês ou em espanhol para mostrar o meu trabalho ao mundo. Mas também posso cantar para que nos ouçam. Eu quero que o mundo nos veja pelo que de tão lindo temos: a nossa música, a nossa democracia musical. O gênero, de onde bebi da fonte, que é o sertanejo, tem este dom de se unir – em perfeita harmonia- com estilos como o axé, o funk e tantos outros.

A sua sonoridade ao longo dos anos vem ficando mais moderna. Você se considera um mais pop do que sertanejo?

Rótulos limitam. Eu canto o amor. O romantismo é minha essência, aliás, é a maior característica do latino.

Check-In, sua nova música de trabalho, foi criticada na internet por causa do seguinte trecho: “Deus fez a mulher de uma costela de Adão. Quando foi fazer você, fez do filé mignon”. Como você lida com as críticas?

Críticas sempre vão existir. Mas, realmente, me importo com o que o público “diz”. E isso “ouço” nos shows, com o retorno das músicas nas rádios, dos meus fãs na internet. Faço o que gosto e para eles, que são o meu maior tesouro. A música Coisa Bonita do Rei só exalta o romantismo dele. Você pode falar de amor com malícia sútil e com música dançante. Roberto Carlos é referência para todo artista que tem a música como pulsação, arte e vida. Fiz junto com o meu parceiro Douglas César. É uma música de uma vibe dançante com uma letra de linguagem direta e um toque de malícia. “Deus fez a mulher com a costela de Adão. Quando foi fazer você, fez do filé mignon”. Nesse caso, filé mignon é a metáfora de que a mulher amada foi feita da matéria do amor, do prazer, da gostosura. É a mesma malícia sútil que o Roberto Carlos fez em “pode até me beijar, pode lamber, que eu sou dietético”, no início dos anos 90.