Fã dos grupos femininos de soul dos anos 1960 e com vozeirão de diva do jazz, Amy Jade Winehouse tinha sofisticação e talento para agradar fãs do rock ao soul. Os cabelos negros em formato de colmeia, os olhos tristes sempre carregados de rímel e as tatuagens no estilo marinheiro completam a persona da artista, encontrada morta em seu apartamento, em Londres, em 23 de julho de 2011. Até hoje Amy é considerada uma das vozes mais celebradas do mundo.

Exatos dez anos após a trágica morte da artista aos 27 anos - o laudo apontou que a causa foi intoxicação por álcool - a vida e a obra de Amy Winehouse será revisitada em livro e documentários. No início do mês, a MTV e o Paramount+ anunciaram a estreia de Amy Winehouse e Eu: A História de Dionne Bromfield. O documentário presta tributo à cantora e compositora pelo olhar de sua afilhada, a também cantora e compositora, Dionne Bromfield.

A produção estreia no Brasil, na terça-feira, dia 27, às 19 horas na MTV. “Não posso mensurar o quão terapêutica esta jornada tem sido para mim. Finalmente, posso avançar para o próximo capítulo da minha carreira, sabendo que lidei com emoções que foram enterradas por anos”, disse Bromfield. “Espero que este documentário apresente Amy como mais do que apenas uma pessoa lutando contra o vício e, ao invés disso, mostre o ser humano incrível que minha madrinha era”, completou ela.

Encomendado pelas TVs britânicas BBC Two e BBC Music, o documentário Reclaiming Amy vai estrear hoje no Reino Unido. Narrado por sua mãe, Janis Winehouse-Collins, o filme apresenta imagens caseiras, fotos de família e entrevistas com amigos próximos que relembram os tempos mais felizes, mas também os sombrios. Ainda não há previsão de estreia no Brasil.

Em agosto, deve chegar às livrarias o aguardado livro Minha Amy, escrito pelo melhor amigo da cantora, o cantor e compositor Tyler James. No livro, ele revela que a artista passou cerca de três anos sem usar crack e heroína — as drogas pesadas nas quais foi viciada — antes de morrer. Tyler acompanhou Amy ao longo de sua ascensão artística: de cantora de jazz em obscuros clubes noturnos a superestrela dos grandes palcos e festivais do mundo.

A expectativa pelo lançamento é grande porque o Tyler assistiu de perto ao massacre de Amy pela imprensa e indústria musical, sua fuga nas drogas e na bebida, os surtos de bulimia e automutilação, que acabaram tão cedo com sua brilhante carreira. Para ele, as tristes imagens da cantora cambaleando, esquecendo letras e abandonando palcos no Brasil, em Dubai ou na Sérvia, não apagam o legado que ela deixou para a música.

Com apenas dois álbuns de estúdio lançados, Amy Winehouse revolucionou a música com sua voz e referências que incluem soul, jazz e R&B. Canais de música também preparam homenagens pelos 10 anos de sua morte. De hoje a domingo, sempre às 22 horas, o Canal Bis tem apresentação especial da performance de Amy no mítico Porchester Hall, hoje, do documentário Amy Winehouse Back To Black: Classic Albums, no sábado, e da sua apresentação na Igreja St. James Church Dingle, na Irlanda, no domingo. Uma forma dos fãs matarem um pouco da saudade do fenômeno Winehouse.

Som e fúria
Quem visita Londres tem duas paradas obrigatórias: o Palácio de Buckingham, residência oficial da Rainha Elizabeth II, e Camden Square, número 30, o endereço onde viveu e morreu uma das cantoras mais polêmicas dos últimos tempos. O bairro alternativo ao norte de Londres ficou conhecido como a casa da Amy Winehouse, que se transformou no símbolo de uma geração. Há até uma estátua da artista no local. “Acho que não vou ficar famosa, o tipo de música que eu faço não tem essa dimensão. Se isso acontecesse, acho que enlouqueceria”, chegou Amy a dizer, em 2003, ano em que lançou o primeiro álbum, Frank.

A fama em escala global veio com o lançamento do segundo disco, Back to Black, de 2006, que lhe rendeu todos os prêmios musicais relevantes no planeta, incluindo cinco Grammys. As letras falavam da vida desajustada e dos relacionamentos problemáticos, como em You Know I’m No Good e Rehab

Os problemas de Amy Winehouse com drogas e álcool começaram com sua carreira musical e atraíram cada vez mais as atenções da mídia à medida em que sua fama crescia. Em 2016, o diretor Asif Kapadia recebeu o Oscar de melhor documentário em longa-metragem por Amy, uma desconfortável cinebiografia que aborda o declínio da cantora.

Ela herdou da avó um fascínio pelas pin-ups dos anos 1950 e nutria fantasias de se casar com um gângster e ser mãe de dois filhos. O conturbado romance com Blake Fielder-Civil (eles foram casados entre 2007 e 2009) é apontado como catalisador do vício em várias drogas, inclusive heroína e crack. Ao morrer, há exatos dez anos, Amy entrou para o conhecido Clube dos 27, formado por artistas como Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix e Kurt Cobain que, além do talento, têm em comum o fato de terem morrido com apenas 27 anos.