O musical Deixa Clarear, em cartaz no Teatro da PUC, domingo, às 18 horas, tem uma trajetória singular entre os recentes espetáculos que assumiram o desafio de retratar a vida de ídolos da MPB. Sem patrocínio estatal, com pouca divulgação e elenco relativamente desconhecido, a peça em homenagem à cantora Clara Nunes conseguiu levar aos teatros, em quase cinco anos em cartaz, mais de 200 mil espectadores. O sucesso é, em parte, resultado da popularidade da artista mineira que com vestido branco e sorriso no rosto conquistou o Brasil gingando com sua cabeleira e cantando sambas.

“Acredito que Clara Nunes ocupa seu lugar na MPB. O lugar de uma das maiores cantoras brasileiras, com uma carreira brilhante. Uma mulher do povo, simples, que gravou nossos maiores compositores. Onde chegamos com o musical, Clara é lembrada com carinho e grande reconhecimento. Era uma artista muito popular”, define a atriz e cantora Clara Santhana, de 30 anos, protagonista e uma das idealizadora da peça. Durante os 75 minutos de duração, o musical apresenta várias fases da carreira e da vida de Clara Nunes e tem como ponto alto a música, que atua como uma extensão da cena.

O texto de Marcia Zanelatto é bastante poético e muito profundo. Apesar de se inspirar em passagens da vida da cantora, a peça não é biográfica. No palco, cenas da infância da cantora em Caetanópolis (MG) e suas idas ao Programa do Chacrinha, cantando grandes sucessos, como Portela na Avenida, são retratadas. “Optamos por focar mais na artista e em seus pensamentos, seus questionamentos e também nos temas por ela cantados como a luta do povo brasileiro, os ritos dos orixás, a miscigenação de nossa cultura e o amor”, explica a atriz, apaixonada pela obra da cantora mineira.

No palco, Clara Santhana se apresenta acompanhada por um quarteto de violão, cavaco, percussão e sopros (flauta/sax). No repertório, estão clássicos de grandes compositores como O Canto das Três Raças (Paulo Cesar Pinheiro/Mauro Duarte), Na Linha do Mar (Paulinho da Viola) e Morena de Angola (Chico Buarque). Deixa Clarear estreou em 2013, no Teatro Café Pequeno, no Leblon, em homenagem aos 30 anos de morte de Clara Nunes. Aos poucos, a peça cresceu e chamou a atenção da crítica e do público e passou a excursionar por todo País. Clara Nunes morreu no auge da fama, em 1983, após sofrer reação alérgica à anestesia tomada para se operar de varizes no Rio de Janeiro.

SERVIÇO

Show: Deixa Clarear
Data: Domingo, 21, às 18 horas
Local: Teatro PUC – Avenida Fued José Sebba, Jardim Goiás
Ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada)
Postos de vendas: Livraria Leitura (Goiânia Shopping), FNAC (Flamboyant) e Lojas Mormaii (Passeio das Águas e Bougainville)
Mais informações: 4141-2270