Qual o limite para um sonho? Talvez para quem seja imediatista, investir tempo, dedicação, suor, lágrimas e sorrisos, seja algo frágil, impossível. Um longo tempo  é desanimador. Porém, existe quem não meça esforços, e conjuga o verbo ‘realizar’ como mantra.

Assim foi com o personagem central desta reportagem. Farley Souza Matos, um goiano que aos 32 anos, nascido em Ipameri, obteve o título de coreógrafo profissional a nível internacional – um importante título e incomum para jovens – chancelado pelo Sindicato dos Profissionais da Dança do Estado de São Paulo (Sinddança).

Quem o observa hoje, não imagina que os passos de Farley não se limitam aos de dança. Foram caminhos percorridos com o esforço de quem nasceu para ser grande.

Criado pelos avós maternos, o bailarino conta que ao lado da televisão a avó mantinha uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e ele tinha o hábito de colocar pedaços de papel com pedidos aos pés da imagem.

O caminho até a profissionalização não foi fácil. Farley entre os 10 e 11 anos começou a fazer aulas em Caldas Novas, no Sul de Goiás, e contava com a colaboração em dinheiro de três professoras para pagar as passagens de ida e de volta. Tios e familiares sempre que podiam também ajudavam. “Às vezes ficava o dia inteiro a base de água.”

Quando não estava nas aulas, o jovem trabalhava em uma cerâmica da cidade. Os R$ 80 recebidos por lá, eram revertidos para a compra de figurinos, acessórios e com as despesas pessoais. Ainda na infância,  vendeu verduras, picolés, bijouterias e roupas nas ruas da cidade. Entre os 12 e 13 dedicou-se a aulas e concursos em Goiânia, onde era abrigado por uma amiga.

Aos 13 anos, o menino já era grande no universo da dança, um prenuncio do que o aguardava. O menino ganhou o título de melhor bailarino a nível nacional em um festival que aconteceu em Ribeirão Preto, no interior do Estado de São Paulo. “Esse título levou minha família, realmente, a me aceitar como bailarino.”

De bailarino a empresário

Aos 17 anos, abriu sua primeira escola de ballet em Ipameri, aos 18 registrou a empresa e emitiu seu registro profissional do artista (DRT). Foi uma mudança de cenário para o jovem. Com menos de um ano de funcionamento já possuía mais de 80 alunos, alguns com bolsas de estudos. Investimento que já rendeu frutos e é o orgulho do bailarino. “Atualmente, dois meninos que passaram pela escola moram nos Estados Unidos e conciliam o ballet com outras atividades”, comemora.

E ainda questionando sobre limitar sonhos. Isso não existe para Farley. Além da matriz em Ipameri, foi aberta uma filial em Caldas Novas, onde também ensina em várias escolas.

E como um sonhador ficou durante uma pandemia? Adaptação! Com a suspensão das aulas, ele tinha, em média, 400 alunos passou a dar aulas online para aproximadamente 100, ele sonha com um futuro cheio de meninos e meninas em seus salões.

Reconhecimento nacional e internacional

Vinte e três anos após calçar pela primeira vez as sapatilhas de ballet, o goiano, de Ipameri, conhecido como Farley Mattos, de 32 anos, obteve o título de coreógrafo profissional a nível internacional. A avaliação foi feita no início de dezembro do ano passado, em São Paulo. O resultado divulgado nos primeiros dias de janeiro, tendo recebido o título no final do último mês. “Essa avaliação é super difícil, a maioria tenta buscar o título após os 40 anos, quando já estão estabilizados.”

Avaliação

A avaliação para obtenção do título de coreógrafo profissional a nível internacional passou por algumas alterações devido à pandemia de coronavírus (Sars-CoV-2). Antes o exame era realizado durante três dias e neste período o bailarino era avaliado pessoalmente.

Devido à pandemia a forma de avaliação sofreu mudanças, Farley fez um breve relato sobre a sua trajetória no ballet e enviou dez vídeos com momentos diferentes de sua carreira, com o objetivo de mostrar seu desenvolvimento ao longo dos anos.

Questionado sobre a importância desse título, Farley afirma que ele (título) vem para consagrar tudo e que continuará ensinando. “Me sinto na obrigação como ser humano a ser formado profissionalmente para exercer minha profissão.”

Em relação aos planos para o futuro, o goiano vai continuar sonhando e realizando. Com as escolas em Ipameri e Caldas Novas. Mirando Goiânia em sua rota. Na capital realiza diversos trabalhos além do ballet.