Em vez da tela grande do cinema, as telas de todos os tamanhos de TVs, tablets e celulares. Esse é o caminho pouco comum tomado pelo curta-metragem goiano Perambulação, produção do Coletivo Cabeça de Câmera em parceria com a Sublimação Filmes, que foi selecionado para estrear no serviço de streaming de vídeos Snapcine. O obra foge à regra do circuito de festivais e estreia primeiro na plataforma on demand para o cinema nacional, uma espécie de Netflix da produção brasileira.

“Para a maioria das produções nacionais, principalmente os curtas, os festivais de cinema são a única janela de visibilidade. Muitos ainda correm atrás da chancela dos grandes festivais na esperança de validar seus filmes para as salas de cinema, mas esses são casos raros”, lamenta Samuel Peregrino, de 37 anos, diretor de Perambulação. Para ele, o fato de seu curta estrear no Snapcine pode ampliar e diversificar o público. O curta poderá ser visto por gente que nunca foi a um festival de cinema e que sequer sabe que existem produções sendo rodadas em Goiás.

“Esse é o público que vai salvar o cinema nacional, os espectadores de smartphones. Eu e a Snapcine estamos atrás deles. Continuo enviando meus outros curtas aos festivais, mas acho que é preciso arriscar na exibição on demand”, explica o diretor, que é estudante do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG). O filme é justamente o resultado de um trabalho da disciplina prática de produção, orientado pelo professor Rafael de Almeida.

Além de estrear na internet, Perambulação será exibido nesta sexta-feira, às 15 horas, durante a 3ª edição do Curta Goyaz, no Cine UFG. O filme de 11 minutos conta a história do porteiro Nathanael, interpretado pelo ator Tiago Rener, um jovem sonâmbulo que não consegue distinguir o sonho da realidade e tem sempre o mesmo pesadelo. Nathanael não dorme há três dias e, com a ajuda do excêntrico Dr. Coppelius, interpretado pelo cantor e compositor Carlos Brandão, ele busca voltar a dormir ou despertar para uma nova realidade.

Com orçamento curto, de apenas R$ 1,2 mil, o curta foi gravado em cinco dias, sempre na madrugada, em ruas do Centro e da periferia de Goiânia. A ideia dos produtores foi harmonizar os tons cinzas e frios do asfalto, postes, calçadas, portaria e prédios com uma coloração mais clara, asséptica do apartamento do personagem. Os planos noturnos e as luzes amareladas dos postes deram o tom onírico do curta. Para as cenas internas até a casa da mãe do diretor, em Aparecida de Goiânia, serviu de cenário. O resultado, porém, impressiona pela qualidade técnica e artística.

O que é o Snapcine

Lançado neste mês, o Snapcine é resultado da vontade do produtor cearense Philipe Ribeiro de ter um serviço de streaming de vídeos com filmes e séries nacionais. Ele já conta com cem filmes, curtas e séries e a meta é chegar a mil produções  até dezembro. O conteúdo é dividido entre gratuito e lançamentos a preços populares. Um filme que acaba de sair do cinema, por exemplo,  custa R$ 1,99, lembrando o modelo de locadoras de bairro. O serviço está no site snapcine.com e em aplicativo para o sistema Android.