A atenção especial e os cuidados com os pets na quarentena entram para a lista de adaptações que o atípico momento traz para a nova realidade das casas. O período interfere na rotina de todos os moradores, incluindo os animais de estimação, e os tutores precisam agir com eles de acordo com as recomendações de isolamento e higiene para evitar a disseminação do novo coronavírus. Mas, e os passeios na rua, podem continuar? Como higienizar as patas dos pets? Os animais correm risco de adoecer ou são apenas vetores? Que mudanças de comportamento eles podem apresentar e quais as consequências delas?

Andréa Ribeiro é veterinária e sua paixão por pets fica clara com o número de moradores de quatro patas de sua casa: são cinco cachorros e 11 gatos. O quintal é grande e, por enquanto, é só por ali que os passeios vão acontecer; desde o início da quarentena, os cachorros não tiveram mais contato com a rua. “Nesse momento, o que recomendo para os meus clientes é não levar os animais para passear fora de casa. Mas, é claro, existem exceções: quem mora em apartamento e o cachorro é acostumado a fazer as necessidades somente na rua, deve continuar a rotina.”

Se o caso exigir que os passeios permaneçam, é preciso seguir uma série de recomendações. Nos últimos dias, vieram à tona alguns casos pontuais de animais com resultados positivos para infecção pelo vírus, mas especialistas atentam que os números ainda são muito pequenos e sem evidências científicas sobre transmissão deles para humanos. “No entanto, eles podem ser um vetor, como um objeto”, explica Andréa. “Então, durante o passeio, manter as recomendações de distância, não deixar o pet entrar em contato com outros animais nem deixar pessoas tocarem neles. De preferência, deixar uma pessoa só encarregada de realizar esse passeio, que deve ser breve. Voltando para casa, é importante limpar as patinhas”, recomenda.

No caso de uma pessoa que seja confirmada positivamente com o coronavírus, os animais de estimação devem ser afastados de sua presença e a superfície dos corpos deles higienizados com os lenços compostos com clorexidina em solução alcoólica. Isso porque seus pelos podem estar contaminados, transformando-se em vetor para outras pessoas.

Uma dica dada pela veterinária é deixar logo na entrada da residência um kit para realizar a higienização das patas dos animais. “O ideal é realizar a limpeza com lenços umedecidos antissépticos, que contêm clorexidina a 4% e álcool em sua composição. Outra maneira é fazer uma solução com uma parte de água sanitária para nove partes de água e passar nas patinhas”, ensina. Os lenços podem ser encontradas em farmácias de manipulação e em alguns pet shops. Em seguida, é importante que os donos higienizem as mãos. No caso dos gatos, a recomendação é de não permitir as saidinhas que tanto gostam; mas, se tinham esse costume, reforçar as medidas para evitar que tenham contato com a rua.

Desde que as recomendações de isolamento começaram, Andréa passou a fazer atendimentos domiciliares. “Vamos continuar atendendo, mas com cuidado. Alguns clientes moram em prédios e condomínios que não permitem a entrada de prestadores de serviços; nesses casos, busco os pets e levo para a clínica. Outros, consigo fazer nas áreas externas das casas, em ambientes arejados”, explica. “Sempre trocando de máscara, luvas e jalecos e, ainda assim, tentamos não ficar muito próximos uns dos outros”. Em caso de internações, a recomendação do Conselho Federal de Medicina Veterinária é evitar visita, oferecendo o maior número possível de boletins médicos para os responsáveis.