Aos 23 anos, Alanis Guillen traz na bagagem uma única experiência na TV – foi ela quem deu vida a Rita de Malhação – Toda Forma de Amar, em 2019. Vivência esta que foi intensa o bastante para que todos os olhos, tanto do público quanto da equipe da nova versão de Pantanal, se voltassem para ela após o anúncio da produção da novela no Fantástico, em setembro de 2020. Segundo a atriz, logo que a reportagem foi ao ar, seu telefone não parou de tocar, mensagens e marcações nas redes sociais de pessoas conhecidas e desconhecidas torcendo para que ela desse vida a essa personagem brasileira tão icônica, Juma Marruá. Hoje, um ano depois, e após meses de seleção, Alanis é apresentada, também no Fantástico, como a atriz escolhida para o papel.

O diretor artístico, Rogério Gomes, o Papinha, comenta que a escolha de Alanis se deu devido a sua adequação física para o papel, já que a família de Juma vai do Paraná para o Pantanal, e à análise do seu trabalho. “Nossa produtora de elenco, Rosane Quintaes, trouxe o nome da Alanis, que foi a nossa primeira opção. Pedimos a ela e a diversas outras atrizes que nos enviassem selftapes, material de vídeo que ficou comum no último ano devido à dificuldade de testes presenciais durante a pandemia. Depois de recebermos tudo, convidamos Alanis para fazer um teste presencial, seguindo todo o protocolo de segurança daquele momento. Ela fez o primeiro teste e foi brilhante”, declara o diretor.

Para Bruno Luperi, autor da nova versão de Pantanal, a atriz escolhida para interpretar Juma precisava ter uma característica indispensável: o olhar da onça. “Olhei para ela e pensei: é exatamente o que precisamos. Bochecha, nariz, boca, olhar e talento. Ela tinha tudo”, comenta Bruno. Ao falar sobre Juma, o autor destaca que uma de suas principais características é seu lado selvagem. “A Juma está ali ao extremo, um “eu rudimentar”. No contraste com o “eu urbano” de Jove. Juma vai descobrir no primeiro contato com Jove o que é o amor. E ela vai se encantar por um homem que é feminino em sua essência. E, por isso, ele é a única pessoa que ela deixa chegar perto. É um encontro que vem para trazer aprendizado e transformar, com carinho, atenção e respeito.”

Como Juma chegou na sua vida?

Quando anunciaram que haveria essa nova versão de Pantanal – novela que nunca tinha assistido –, uma galera na internet começou a me marcar em publicações e muitas pessoas começaram a comentar. Pessoas amigas, da família, dizendo “essa personagem tem de ser você”. Eu queria saber quem era essa personagem, que história era essa, fiquei muito curiosa. Depois de entender do que se tratava, conversei com minha agência sobre tentarmos fazer um teste pra essa produção. Com a pandemia, o ritmo e a perspectiva de trabalhos estavam muito anuviados. Então, não custava tentar. Passou um tempo e surgiu essa oportunidade de fazer o teste, em selftape - que até então estávamos todos aprendendo a lidar com essa nova forma de trabalhar. Moro em apartamento e, como a instrução do teste era fazer ao ar livre, pedi ajuda à um casal de amigos que moram numa casa com quintal, e por sorte ainda trabalham com vídeo. Eu me dedico a todos os selftapes, mas esse realmente foi especial, com minha amiga me dirigindo, com uma câmera profissional e até equipamento de som. Detalhe: eu não podia falar para ninguém do que se tratava, era algo sigiloso. Disse aos meus amigos, e até para os meus pais, que era mais um teste de uma produção qualquer. Fiz o teste, mandei e logo tive resposta da produção, que gostou muito, mas que queria fazer uma outra opção com a participação da Bella Secchin, preparadora da TV Globo com quem eu já tinha trabalhado em Malhação: Toda Forma de Amar. Ficamos duas semanas nos falando on-line, estudando. Gravamos o teste e mandei.

 

E como foi receber a notícia de que tinha sido escolhida?

Depois desse “segundo teste”, fiquei na expectativa, e muito envolvida com a personagem, a relação com a natureza, com a história em si. Para mim, era muito além de um trabalho ou só mais uma personagem. Era um encontro comigo, um encontro com o divino que transcendia qualquer coisa. Continuei meus estudos de atuação, mas agora com o foco nessa personagem. Daí foram surgindo coisas novas no estudo, e fui experimentando com o texto do teste. Gravei outra versão de Juma e contatei novamente a produtora de elenco de Pantanal e enviei essa outra “versão”. Mas foi somente em fevereiro de 2021 que me chamaram para fazer um teste presencial com o diretor, algo para o qual eu vinha vibrando muito que acontecesse. Cheguei lá, encontrei o Papinha (o diretor artístico, Rogério Gomes) e foi incrível, ele me acolheu demais. Enquanto esperava o retorno desse teste, algum veículo de imprensa publicou que eu estava confirmada, mas eu mesma ainda não tinha tido essa resposta. Amigos e familiares me cobrando de não ter falado nada e me parabenizando. Foi uma loucura porque não sabia o que responder a ninguém. Não sabia nem se eu já podia comemorar ou não. Até que veio a confirmação. Aí eu transbordei.

 

Poderia falar mais sobre essa relação com a natureza?

A natureza é o meu lugar de (re)encontro, de (re)conexão, de buscas e aprendizados. Não vejo a hora de pisar no Pantanal.

 

Seu primeiro trabalho na televisão foi em Malhação, mas como foi sua trajetória até chegar na TV?

Meu primeiro trabalho na TV foi em Malhação: Toda Forma de Amar, mas eu trabalho desde os 3 anos. Eu fazia muito comercial, publicidade... O teatro foi entrar na minha vida quando eu tinha uns 17 anos, no final do colégio. Hoje, eu tenho 23. Pantanal é meu segundo trabalho na TV. Fui estudar teatro para perder a timidez. Quando cheguei lá, descobri todo um universo que eu desconhecia desejar tanto.

 

Você disse que não conhecia Pantanal, mas alguém perto de você falava sobre a novela?

Sim, a maior referência para mim era das pessoas me falando sobre a novela. Todo mundo tem a memória muito viva a respeito dessa obra. Ela realmente mudou a vida de muita gente. E sempre que falam sobre a novela, falam com uma paixão, como algo que pulsa até hoje, quase como um recorte no tempo.

 

Você chegou a conversar com Cristiana Oliveira?

Quando começou esse burburinho ela me mandou uma mensagem por meio de uma rede social dizendo que estava torcendo muito por mim. Mas eu ainda não podia falar nada, então somente agradeci muito. Depois disso nós tivemos um encontro virtual numa ação interna de Pantanal e foi muito bom ouvi-la falar, sentir ela se expressando, contando sua experiência. E agora estou aqui pensando em propor a ela uma ligação pra gente trocar ideias.