As letras garrafais grafitadas nas paredes do Grande Hotel, na Avenida Goiás, com as palavras de ordem “ocupe os edifícios da cidade”, parecem resumir a situação atual no espaço histórico da capital. O local permanece inativo. Anunciada em abril pela Secretaria Municipal de Cultura (Secult), sob o comando de Kleber Adorno, a volta do Grande Hotel Revive o Choro, popularmente chamado por Chorinho, estava prevista para a última sexta-feira, dia 9. O evento, no entanto, não ocorreu. Quem passou pelo local na data a fim de conferir algum show ou curtir o início da noite com os amigos se deparou com um espaço esquecido. A nova previsão, dada ontem pela Secretaria ao POPULAR, após contato da reportagem, é de que o Chorinho volte ainda neste mês, “faça sol ou chuva”.

“Esperamos a licitação em andamento de palco, luz e som para prosseguirmos com a realização do projeto. Já fechamos dois meses de programação com os artistas e queremos que ele volte a ocupar as sextas-feiras da Avenida Goiás o mais breve possível. Todos os detalhes já estão resolvidos e o alvará é o último dos trâmites pendentes”, aponta o coordenador do evento, o produtor cultural Carlos Brandão. Além disso, de acordo com a assessoria de imprensa da pasta, a Secult espera também a pintura do Grande Hotel, que se encontra desde o ano passado inativo, com pichações, lambe-lambes e cartazes diversos em suas paredes, além das inúmeras salas ocupadas por entulhos ou desocupadas.

Tombado desde 2003, quando o conjunto art déco de Goiânia – composto por 22 prédios e monumentos – tornou-se Patrimônio Histórico, o Grande Hotel precisa que toda ação de mudança física tenha o crivo e orientação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A entidade diz que ainda aguarda apresentação de projeto para a aprovação da pintura. A última reforma efetiva realizada no prédio foi há 10 anos, quando ele passou por restauro nas partes internas e externas.

“O Grande Hotel é um edifício tombado pelo Iphan, mas cuja gestão é de responsabilidade do município de Goiânia. Assim, também é a Administração Municipal a responsável pela manutenção e zelo ao bem, assim como por possíveis intervenções físicas a ele, como o caso de uma pintura. O instituto foi informado diretamente pelo secretário de cultura que essa intervenção seria feita e aguarda a apresentação do projeto para aprovação”, afirmou o Iphan, em nota enviada à Redação.

Orçamento

Ainda segundo o Iphan, o recomendado é que a Secult apresente agenda completa de projetos, informando também quais são e quando serão colocadas instalações provisórias de apoio ao Chorinho, seguindo as diretrizes de ocupação de áreas dos bens tombados.

Em entrevista quando foi anunciada a retomada do Chorinho, em abril, Adorno já havia reiterado que a pasta permanecia com restrições orçamentárias, mas que as programações em todos os projetos musicais seriam feitas em parceria com os próprios músicos. “Claro que não queremos aviltar a profissão, mas o trabalho será de multiplicação dos pães”, afirmou.