Um dos ícones da moda nos anos 70, a calça boca de sino ainda está mais forte que nas pistas. Não tão unissex como antes, já que raramente é vista no armário masculino. Nem tão ligada às golas enormes e pontudas, camisas psicodélicas estampadas, franjas, batas e coletes. Repaginada, tem a modelagem do joelho um pouco mais acentuada, cintura alta e nomes moderninhos - agora é flare ou super flare. Mas independente do alargamento da boca, a calça tem lugar de destaque no guarda-roupa de quem aprova o modelo que ficou famoso nos corpos de ícones como Elvis Presley e Jimmy Hendrix.

Como o próprio nome entrega, a peça é levemente ajustada da cintura até a altura dos joelhos, onde começa a enlarguecer até a barra, formando um desenho que lembra um sino. Enquanto a flare tem uma abertura de cerca de 26 cm de diâmetro, a super flare é maior, com algo em torno de 35 cm. Na versão repaginada a cintura é sempre alta - modelo que se tornou algo clássico entre as brasileiras por colocar a cintura em evidência, aumentar o quadril e alongar visualmente as pernas.

A modelagem da flare dá mais liberdade de movimento e pode ajudar a equilibrar a silhueta, quando a boca não é tão grande, ou achatar os quadris, quando o modelo é um super flare. Levando em consideração a diversidade de corpos e a proposta universal do modelo boca de sino, o estilista goiano Emannoel Moraes alerta para alguns cuidados na hora de compor o visual. “Para mulheres de quadris mais largos o ideal é uma blusa mais comprida na composição. Já para as magras, a dica é usar a calça com cropped desde que a peça tenha o cós mais alto.”

O ideal é que a barra não arraste no chão, nem deixe o sapato todo à mostra. Cerca de 2 cm do calçado deve dar o ar da graça. Segundo Emannoel, o segredo está na hora de experimentar a peça, ainda na loja. “O comprimento deve ser abaixo do tornozelo para que depois o salto alto complemente a altura e possibilite um bom caimento da calça”, ensina. A exceção vale para mulheres mais altas e magras, que podem combinar o modelo flare com o conforto de sapatilhas e rasteirinhas.

Releitura ousada

A releitura da boca de sino ganhou detalhes ousados e uma variação que vem conquistando muitas adeptas. Pregas, aplicações em patchwork, babados, fendas e desfiados deixam as barras divertidas. As nesgas, pedaços de pano com forma triangular costurados à parte alargada das calças também vieram com tudo. Emannoel Moraes destaca ainda os detalhes feitos com resinas em lavanderia que dão o efeito de duplicidade ao tecido.

O mais novo modelo inspirado na querida setentinha é a calça cropped flare que tem a barra menor e deixa os sapatos totalmente à mostra. Nesse caso, um cuidado precisa ser tomado pelas mulheres mais baixas, já que a versão curta passa a impressão de que a modelo é menor. As mais ousadas podem optar pela combinação com sapato alto, de bico fino e de preferência na cor nude para evitar que a silhueta seja diminuída. Na parte superior, blusas com decote V e colares longos.

Sinônimo de sofisticação, a calça flare também pode compor um look mais informal quando o jeans é mais claro ou a peça é feita em malha. Outra opção é combiná-la com camiseta de malha, bolsas desestruturadas e sandália de salto grosso.