Instrumentos afinados, músicos a postos, móveis arrastados pelos cantos. O sofá vira palco. Já a plateia assiste tudo no conforto de casa. Ante a quarentena do novo coronavírus, artistas trocam as casas de espetáculos pela própria sala e criam apresentações on-line. As lives que tomaram conta da internet mantêm a mesma premissa: de que as pessoas fiquem em casa.

No ritmo de trocas pessoais e contato artístico mais próximo com o público por meio do digital, a cantora Maria Eugênia, por exemplo, tem promovido lives todas as quintas-feiras, sempre às 20h30, no Instagram. “É um momento em que canto, respondo perguntas, apresento alguma parceria, converso sobre diversos assuntos. Estamos em um momento que é preciso aproximar, dialogar, trocar. É papel do artista desenvolver conexões”, diz.

Não há fronteiras geográficas para as ações on-line. No Festival Fico em Casa Brasil (@festivalficoemcasabr), mais de 70 músicos se reúnem desde o início da semana em lives do Instagram. Até o dia 27, serão mais de 40 horas de música, com artistas de diversas regiões brasileiras, entre eles nomes como Daniela Mercury, Dudu Nobre, Adriana Calcanhoto e os goianos da Boogarins, Davi Sabbag e a banda Brvnks.

“É uma ação gigantesca, com dezenas de artistas, produtores, agentes, com vários profissionais envolvidos para levar música de qualidade até as pessoas nesse momento de crise”, explica o produtor cultural Fabrício Nobre, que bolou a programação do festival. As apresentações têm a duração de 30 minutos em formatos inéditos e intimistas, transmitidos pelo Instagram dos artistas e retransmitidos pelo canal de YouTube e perfil nas redes sociais (a programação completa pode ser conferida em acontece.opopular.com.br).

Em tom mais pessoal, Fabrício também criou outra ideia de compartilhamento de experiência musical. Em seu perfil do Instagram, o produtor diariamente dá sugestões de discos que gosta de ouvir ou que marcaram, de um jeito ou de outro, a sua relação com a música. “É uma forma de não enlouquecer na quarentena. Eu me divirto, dou uma indicação e a galera gosta bastante”, conta.

Ao vivo

O recurso de entrar ao vivo nos stories do Instagram já existia há um bom tempo, mas a sua utilização se intensificou durante a quarentena. Diversos Estados, a exemplo de Maranhão e São Paulo, lançam editais focados em projetos on-line de cultura. E não são apenas ações de música que se espalham pela internet. A Cia Oops!.. de Teatro promove diversas atividades de artes cênicas em suas redes sociais, como YouTube e Instagram.

Na agenda do grupo, há bate-papos e apresentações ao vivo dos espetáculos Olho, O Doente Imaginário e Sonho de uma Noite de Verão. “A ideia surgiu a partir da necessidade de manter as atividades do grupo em um momento em que praticamente todas as ações culturais foram suspensas ou canceladas”, explica o diretor João Bosco Amaral.

No período de quarentena, a companhia também precisou adaptar o projeto Le Petit Cirque des Ilusions, aprovado no Fundo de Arte e Cultura de Goiás. Uma residência artística agora será on-line, com a participação de diversos artistas europeus. Já a Cia. Sei Lá o Que de Teatro também está com programação cheia para esta semana, que envolve recitais de poesia, dicas de filmes, apresentações musicais, contação de histórias para crianças e tributo a Elis Regina com a cantora Joyce Cândido. Tudo exibido pelo Instagram do diretor Tiago Reiner (@tiagoreiner).