No primeiro olhar, o espanto. É fotografia ou desenho? O traço hiperrealista da figura humana na obra do artista plástico Ritchelly Oliveira, de 24 anos, faz com que as ilustrações ganhem sentidos sensoriais e impressionem o telespectador de tão real. O jovem faz parte de uma cena que se renova com frequência na arte goiana, que é reconhecida no Brasil e fora por nomes como Siron Franco e Ana Maria Pacheco e pela nova geração, representada por Dalton Paula, premiado pela temática do corpo negro, muitas vezes silenciado pelo medo.

“Goiás sempre foi um celeiro de artistas plásticos e se renova há cada década principalmente com essa nova turma que está se profissionalizando mais com outras mídias. É um momento interessante de renovação local. São artistas que estão encarando com bastante comprometimento o universo artístico. Eles filtram o mundo, que passa por um momento conturbado, de uma maneira muito especial”, avalia Gilmar Camilo, curador do Museu de Arte Contemporânea de Goiás (MAC).

É o caso de Ritchelly Oliveira. O jovem ainda não fez nenhuma individual na carreira iniciada em 2012, mas já participou de coletivas importantes em galerias de Nova York, Miami, Londres e Berlim. Em Goiânia, apresenta suas obras em mostras realizadas pela Galeria Plus, que o representa. “Tenho o sonho de um dia expor no museu os meus trabalhos, mas ainda não produzo em grande escala pra isso”, comenta o artista, que divide o tempo com o curso da Faculdade de Artes Visuais da UFG.

Na produção, o artista utiliza o carvão e o grafite e tem a fotografia como referência. A sombra também é muito presente, assim como os pássaros que aparecem junto com a figura humana. “No começo, minha pintura era mais solta, com traços e de forma ilustrativa. Muitos dos desenhos que fazia não tinham um porquê, era mais por uma vontade de colocar algo para fora. Sempre tive dificuldade em colocar o que sinto em palavras. A minha arte é a minha zona de conforto”, ressalta.

A obra do jovem conquistou curadores como Samuel de Jesus, coordenador de Programação de Artes Visuais do Centro Cultural UFG. “Se a gente pensa em termos de processo poético, no desenho ele é uma ótima referência. Ele tem um futuro promissor e com uma produção que se destaca muito, sobretudo no exterior. Acredito que ele tenha todas as ferramentas na mão para se projetar também em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre”, pontua.

Outro novo nome que vem aparecendo no mercado é o de Estêvão Parreiras Pereira, de 25 anos, formado em Artes Visuais pela UFG. Nos desenhos, ele trata de reflexões enquanto artista, observando o espaço ao redor. As suas obras transitam entre a figuração e o abstrato e traz muitos elementos da pop art, em que ele tem como referências artistas como Andy Warhol e Basquiat. Estêvão utiliza cores brilhantes como o dourado e o prateado com as primárias vermelho e amarelo.

Na carreira, Estêvão participou de uma coletiva em 2016 do 1º Salão de Inverno da Casa Xiclet, em São Paulo. No ano seguinte, foi selecionado para o 23º Concurso Sesi Arte Criatividade, com curadoria do artista Divino Sobral, em que recebeu o prêmio de artista revelação. Assim como Ritchelly, também ainda não fez uma mostra individual. “É um desejo. Sonho um dia poder viver dos meus desenhos, de fazer grandes exposições no Brasil e no exterior e participar de bienais”, conta ele.

Estêvão também caiu no gosto de curadores, caso de Celso Fioravante (Mapa das Artes/SP), Raphael Fonsceca (MAC Niterói) e Gilmar Camilo (MAC Goiás). “Ele é antenado com o seu tempo e um dos mais promissores da arte contemporânea. Ele trabalha bastante e tem uma produção grande pela pouca idade que tem”, avalia Camilo. Estêvão é compulsivo pelo ofício. “Já fiz 50 desenhos numa semana, gasto muitos cadernos, algo bem obsessivo. Todo lugar se torna meu ateliê”, diz.