Artistas e produtores culturais se reúnem na Praça Cívica, na tarde desta quinta-feira (5), para protestar a favor da manutenção dos mecanismos de incentivo público. O ato serve como lançamento da Frente Ampla em Defesa da Cultura, movimento coletivo em amparo às pautas culturais e que engloba profissionais de diferentes áreas, como audiovisual, teatro, artes visuais e música. Um dos setores mais afetados pela pandemia, a classe cultural reivindica os pagamentos dos atrasos do Fundo de Arte e Cultura de Goiás (FAC) de 2015 a 2018, além da continuidade da Lei Goyazes de Incentivo à Cultura. De acordo com a produtora Malu Cunha, uma das profissionais à frente do protesto, são quase R$ 30 milhões em projetos atrasados, além de R$ 40 milhões que deveriam ser destinados aos editais de 2019 e 2020. "Na manifestação, além do lançamento da Frente, está em foco as políticas culturais do Estado, neste governo, de desmonte total, onde houve um grande retrocesso. Conquistas de anos da classe cultural foram extintas", destaca Malu. Na manifestação, diversos artistas de áreas distintas protestam a favor da criação de comissões que criem diálogo entre a classe cultural e a Secretaria de Estado de Cultura (Secult Goiás)."Foi proposta a criação de comissões e tivemos o comprometimento do secretário estadual de cultura, César Moura, na busca de um cronograma de pagamento junto à Economia. Isso ocorreu há mais quatro meses atrás e de lá para cá, total silêncio da Secult em relação ao assunto", explica Malu. Os artistas também reivindicam a desburocratização dos 20 editais da Lei Emergencial Aldir Blanc. "Os editais Aldir Blanc não privilegiam o contexto geral de um fundo emergencial", reflete Malu. GestãoEm resposta à manifestação da Frente Ampla, a Secult Goiás em nota ao POPULAR afirma que o atual governo assumiu em 2019 com editais do Fundo de Arte e Cultura não pagos dos anos de 2015, 2016, 2017 e 2018. "Mesmo assim, já no primeiro ano, foram pagos R$ 30 milhões referentes a 2018", explica. A pasta também destaca que os demais anos estão em estudo para verificar a viabilidade técnica e financeira "por conta dos vários anos deixados pela gestão anterior". A nota da Secretaria reitera que o atual governo encerrou a prática de lançar projetos sem que haja a previsão de pagamento, como ocorria nas gestões anteriores. "Agora, tanto na cultura como em outras áreas, o lançamento de projetos e editais só ocorre após viabilização técnica, operacional e financeira", diz. Dentre as prioridades da atual gestão, de acordo com a pasta, está a de abrir novos editais do FAC tendo o recurso em caixa, "para evitar o que aconteceu no passado". Ainda segundo a Secult Goiás, o governo anterior não conseguiu honrar os editais publicados. "Importante ressaltar que o FAC é uma premiação em que primeiro se recebe o recurso para depois executar. Então, o fato é que o governo anterior lançou os editais mas não destinou os recursos aos proponentes aprovados. Desse modo, esses projetos ficaram impossibilitados de serem realizados", destaca.Aldir Blanc Sobre a Lei Emergencial Aldir Blanc, a pasta explica que os 20 editais estão desburocratizados, mas por se tratar de um recurso de ajuda emergencial sem retorno, as pessoas precisam comprovar que são artistas. "Não se trata de burocracia, mas sim da necessidade do cumprimento de aspectos legais que constam na Lei aprovada pelo Congresso Nacional e que precisam ser cumpridos pelos Estados", diz. -Imagem (1.2297466)-Imagem (1.2297457)