Da Avenida Goiás, quem observa a torre da Antiga Estação Ferroviária pode até imaginar que o edifício encontra-se em uso contínuo. Mas basta chegar um pouco mais perto para entender o porquê da manifestação que será promovida hoje, às 9 horas, pela Sociedade Art Déco de Goiânia, em decorrência ao abandono e descaso por parte da administração pública. Sete meses após o comunicado da reforma e revitalização do prédio pela Secretaria Municipal de Cultura (Secult), reportado pelo POPULAR, as rachaduras internas ao lado de grandes manchas de infiltração nas paredes e o acúmulo de sujeira nos cômodos continuam intactas e transformam a edificação em praticamente um mausoléu fantasma.

O projeto de revitalização e requalificação de todas as instalações do prédio e de seu entorno, a exemplo da Praça do Trabalhador, prevê mecanismos de ocupação permanente na Estação, com o custo de R$ 7,5 milhões, disponibilizados pelo Iphan por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas. Desenvolvido pela arquiteta Janaína de Castro, a reforma inclui a recomposição dos trilhos, a criação de um museu, local para leitura, um café e a reconstrução de uma fonte para homenagear o monumento do trabalhador, demolido durante a ditadura militar.

“A demora do início das obras gera problemas de cunho social. As pessoas em situação de rua utilizam o espaço como abrigo e consumo de drogas. A precariedade do lugar sem iluminação e vigilância promovem a falta de segurança e, consequentemente, a violência”, aponta o artista plástico Gutto Lemes, presidente da Sociedade Art Déco de Goiânia. De acordo com a assessoria de imprensa da Secult, as reformas não foram iniciadas por conta do repasse do subsídio federal, que ainda não foi realizado para o início das obras. Enquanto isso, a Estação paira em um silêncio total.

Após um longo período de ajustes do projeto por parte da Prefeitura, o projeto foi aprovado pelo PAC Cidades Históricas no final de 2016, mas, segundo o diretor do programa, Robson de Almeida, a obra não foi contratada em razão do contingenciamento de recursos do programa pelo governo federal. Esse recurso disponível é suficiente para o atendimento das obras em execução, mas novas contratações, como é o caso da Estação Ferroviária, estão temporariamente suspensas em todo o País. “É importante destacar que o PAC Cidades Históricas não faz repasse de verbas antecipadamente, mas efetua as transferências na medida do desembolso, ou seja, a partir de medições realizadas da obra em execução”, explica.

Obras

O edifício é um dos exemplos mais imponentes do estilo art déco nacional, mas por conta de sua precariedade e infraestrutura, passa despercebido por muitos que caminham pela Avenida Independência. A reforma do prédio é um dos projetos planejado na gestão do ex-prefeito Paulo Garcia, apontados na edição do último domingo do POPULAR, e que permanecem parados na atual gestão. Enquanto em 2016 era necessário refazer o projeto de revitalização para conseguir a liberação de recursos, para agora, em 2017, a Prefeitura informa que aguarda a liberação para desenvolver uma licitação, sem previsão para o início do projeto.