Escritor, jornalista e cronista dos jornais El País e do Diário do Nordeste, Xico Sá vem hoje a Goiânia falar sobre mundo digital e sociedade em rede: as mídias tradicionais e os novos espaços de informação e comunicação. A conferência faz parte do projeto Diálogos Contemporâneos, às 19 horas, no Teatro Goiânia. A entrada é franca e os ingressos serão distribuídos uma hora antes do início da palestra. Autor de dezenas de livros, sendo sua obra mais recente Crônicas para Ler em Qualquer Lugar, o jornalista é conhecido do grande público por sua participação em programas de TV como Amor e Sexo e Saia Justa. Em sua conferência, ele argumentará como o fenômeno da internet criou um novo mundo, com o uso crescente de redes sociais e de plataformas de compartilhamento de dados, conteúdos audiovisuais e informações, controlados por grandes empresas e seus algoritmos. Ao POPULAR, ele adiantou alguns dos temas de sua palestra de hoje. Confira trechos da entrevista:Na sua opinião, o que a literatura tem a dizer sobre os tempos vividos atualmente no Brasil?A literatura do cronista é praticamente o ato de oferecer uma cadeira para o leitor e puxar um papo. Pode ser um delicioso papo furado ou algo mais sério, como a política, por exemplo. A literatura também tem no seu estoque textos fundamentais para a gente entender o que se passa hoje no País. Abrimos o livro Viva o Povo Brasileiro, do João Ubaldo Ribeiro, e lá encontramos todas as nossas polarizações mais antigas, nossas contradições, nossas tretas etc. Como é fazer parte de uma geração de jornalistas que pegou máquinas de escrever e precisou se reinventar com a chegada dos primeiros computadores e da internet?Ah, tomamos muitos sustos com as inovações tecnológicas. A cada mudança, achávamos que o mundo iria se acabar. Mas o bom é que seguimos no jogo, pois sabemos que mudam apenas as ferramentas, gambiarras e as plataformas, mas o jornalismo segue sendo, sobretudo, a arte de contar uma história ou opinar sobre ela. Como o senhor usa a internet como ferramenta para a criação literária?A internet alterou muito o meu texto jornalístico (com a possibilidade de uma busca a cada instante, por exemplo), mas interferiu pouco na minha criação mais literária. Qual o papel das mídias tradicionais no novo contexto da sociedade em rede?Acredito muito no jornalismo de reportagem e a velha tradição de contar boas e grandes histórias. Nada como aquela reportagem especial de domingo com uma história de tirar o fôlego. Mesmo com a crise do jornal impresso, quase extinto em algumas regiões, é esse veículo que ainda nos alimenta com essas reportagens. Em tempos de fake news, qual o melhor antídoto contra a mentira?A educação sempre foi e será a melhor vacina. Um leitor preparado é um terreno infértil para fake news. O senhor é otimista em relação às consequências do avanço da tecnologia nos meios de comunicação. Por quê?Um cético otimista, como diria Ariano Suassuna, por mais que a expressão seja paradoxal. Acredito no jornalismo, seja em que cenário for. Acredito que a figura histórica chamada repórter seguirá nos contando boas histórias.