Para muitos, o fim e o início de um novo ano é um período de recomeço e planos para o futuro. Esse momento pode gerar ou aumentar a ansiedade pela frustação de não ter cumprido metas ou anseio por mudanças. Para a psicóloga do Hospital do Coração Anis Rassi, Maria Cristina Rassi Garcia, esse estado de fragilidade pode atingir níveis comprometedores, e a procura por ajuda profissional é importante.

“As pessoas ainda têm resistência em buscar ajuda e tratamento para os problemas emocionais e mentais, comprometendo todos os aspectos da vida do indivíduo. Ainda existem muitos preconceitos e falta de informação sobre adoecimento emocional”, explica.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que o Brasil não vai bem em relação à Saúde Mental. Os números mostram que 5,8% da população (12 milhões de pessoas) sofrem de depressão. (É a maior taxa da América Latina, a 2ª maior das Américas e a 5ª do mundo). Em relação aos transtornos de ansiedade, o Brasil é o recordista mundial, com 9,3% da população com alguns desses problemas.

E quando o problema em questão é o suicídio, a situação também é preocupante: a ocorrência de 12 mil suicídios anuais no país faz com que a sociedade brasileira ocupe a 8ª colocação no planeta, em relação à contagem absoluta de mortes por autoextermínio.

Segundo ela, o preconceito e a exclusão que cercam os pacientes de doenças mentais devem ser combatidos com informações claras e bem fundamentadas. “O universo da saúde mental envolve inúmeros aspectos relacionados às emoções, relacionamentos, vínculos afetivos e sociais. É importante sensibilizar o poder público e a sociedade para que reconheçam a gravidade da tendência mundial ao adoecimento emocional do ser humano”, diz.

Existe muito desconhecimento em relação às doenças mentais, especialmente sobre a depressão. “Por isso, precisamos tratar esse assunto de forma ampla, levando informação à sociedade, por um lado, e assistência profissional, pelo outro, acolhendo com solidariedade as pessoas afetadas”, afirma. “Devemos ficar atentos aos sintomas que nos incapacitam ou geram sofrimento intenso e duradouro desencadeados por um fato gerador desta emoção. É importante evitar o isolamento e encontrar coragem para procurar um profissional da área de saúde mental, para o diagnóstico e tratamento corretos. E é fundamental que familiares e instituições reduzam o preconceito e reconheçam que a doença mental é uma doença real e, como tal, deve ser tratada”, argumenta.

Dicas para prevenir e melhor lidar com os problemas durante o processo terapêutico:

- Praticar atividades físicas;
- Manter uma alimentação saudável;
- Fazer aquilo que lhe proporciona prazer;
- Evitar álcool e drogas.