A trombofilia, condição que atingiu algumas celebridades gestantes, como a cantora Thaeme e a influencer Shantal Verdelho, é uma tendência a desenvolver trombos, ou seja, a predisposição a formação de coágulos no sistema vascular. Esses coágulos podem entupir a circulação dos vasos sanguíneos e ocasionar diversos problemas, como abortos no caso delas, abortos de repetição, tromboses profundas ou superficiais. 

Existem dois tipos de trombofilia: a hereditária e a adquirida. A hereditária está diretamente relacionada a algum defeito genético que interfere na coagulação. Já a adquirida é aquela onde há um evento clínico específico, que aumenta o risco de trombose, como a síndrome do anticorpo antifosfolípide, obesidade, uso de anticoncepcional, entre outros fatores. 

Nos últimos anos, os casos de trombofilia obtiveram um aumento. De acordo com Gilberto Narchi, cirurgião vascular do Hospital HCor, no estado gestacional, as mulheres tendem a maior incidência de eventos trombóticos devido às variações hormonais, mesmo sem fator hereditário envolvido. 

Sintomas, complicações e como diagnosticar 

Os sintomas da trombofilia são decorrentes do local e extensão da trombose, sendo os mais frequentes dor e edema em membros inferiores, local de maior acometimento. Mas pode ocorrer em membros superiores, em vasos intra-abdominais e até cerebrais. No entanto, é válido ficar atento a situações que apresentem dor nas pernas ao caminhar, de repouso ou parada, inchaço de apenas um membro e pele azulada no local, além de dor e endurecimento de alguma veia. 

Esses podem ser alguns sintomas, mas não significa que o diagnóstico seja obrigatoriamente de trombose, segundo o especialista. “É necessária avaliação médica e exames específicos”, explica. De qualquer forma, as principais complicações da trombofilia podem ser: trombose cerebral, embolia pulmonar, AVC, além de diversas intercorrências na gravidez como restrição de crescimento fetal, abortamento de repetição, abortos no início da gestação, perda fetal tardia, pré-eclâmpsia, aumento da pressão arterial, descolamento de placenta etc. 

A prevenção só é possível quando se conhece o histórico familiar nos casos das hereditárias. Já para as adquiridas é recomendado conhecer os fatores de risco, como imobilização prolongada e cirurgias, para utilizar recursos de prevenção. Esses recursos podem variar desde medidas simples como meias de compressão elásticas até uso de anticoagulação específica, que “afinam o sangue” para evitar trombos.

Para as trombofilias hereditárias não há cura, mas o controle é eficaz. Em situações específicas, como imobilização por fraturas com cirurgias em membros inferiores, por exemplo, o risco cessa após a recuperação total do quadro. “Os fatores que minimizam os casos de trombose é manter-se bem hidratado e evitar longos períodos de imobilidade, como acontece em viagens prolongadas de avião. Além disso, em alguns casos e dependendo da situação do paciente, recomenda-se o acompanhamento médico com vascular, hematologista ou obstetra de alto risco”, finaliza Gilberto.