Você já ouviu falar sobre a síndrome do intestino irritável? Trata-se de uma doença crônica funcional, ou seja, não há nenhuma lesão visível e sim uma disfunção nas contrações dos músculos que formam a parede do intestino. Cólicas, diarreia e/ou constipação são as principais manifestações do problema, que é mais frequente entre as mulheres.

Segundo a médica cirurgiã Bruna Luz, especialista em endoscopia gastrointestinal da Cia. da Consulta, a incidência dessa doença tem aumentado nos últimos anos. "As paredes dos intestinos são revestidas por músculos que se contraem e relaxam conforme o alimento ingerido passa. Na síndrome do intestino irritável, as contrações desses músculos se alteram devido alguns aspectos, que na maioria das vezes são causados por estresse e outros sintomas psicológicos", diz.

Para Bruna, transtornos psicológicos estão diretamente ligados ao funcionamento do aparelho digestivo. "Traumas, ansiedade e depressão são fatores que acentuam os sintomas, uma vez que o nosso intestino é considerado nosso segundo cérebro”, comenta. A síndrome pode se manifestar de maneiras diversas, inclusive em fases assintomáticas. "É preciso estar atento aos sinais, visto que eles podem ser confundidos com outras doenças gastrointestinais. Para que o tratamento adequado seja feito, o diagnóstico correto é essencial."

A identificação da doença é realizada através da avaliação de um médico especialista que, após a consulta, poderá solicitar alguns exames, como a colonoscopia. “Esse é o exame indicado para atestar que não é algo mais grave. Vale reforçar que o exame também é uma forma de se prevenir o câncer colorretal”, explica Bruna.

A exclusão de bebidas gaseificadas, alimentos gordurosos e artificiais são indicados para melhorar a qualidade de vida de quem convive com a síndrome. Mas a mudança de estilo de vida não inclui apenas a alimentação. A prática de esportes e sono tranquilo também ajudam, já que diminuem a ansiedade. 

“É preciso dizer que medidas saudáveis não devem ser tomadas apenas quando temos uma doença diagnosticada. Boa alimentação, acompanhamento médico e prática de exercícios são indicados para qualquer fase da vida”, conclui.