“Útero é só para ter filho, menstruar, ter mioma e câncer.” Essa é uma afirmação que muitos ginecologistas ouvem de mulheres que querem fazer a histerectomia, ou seja, a retirada cirúrgica do útero. No entanto, a situação é diferente do ponto de vista médico. Isso porque, conforme a maioria dos especialistas, se a mulher tem um útero saudável, que mantém a vagina no lugar, faz sustentação para a bexiga e o intestino, não tem porque retirá-lo. Afinal, esse órgão tem a função de manter toda a anatomia da região do baixo ventre feminino e, se a mulher não quer mais menstruar ou ter filhos, há outras formas de condução, sem ser um tratamento tão radical.

Segunda cirurgia ginecológica mais realizada no Brasil, a histerectomia é uma solução definitiva, mas invasiva, para miomas no útero. Levantamentos mostram que até 60% das mulheres com mais de 30 anos desenvolvem esse problema. Nos casos mais graves, com grande hemorragia, o médico pode, sim, indicar a retirada do órgão. Mas a cirurgia é considerada a última alternativa e, por isso, deve ser cercada de cuidados. “Os miomas são nódulos que levam a sangramentos anormais, inclusive hemorragia. Outras causas para a histerectomia são endometriose, adenomiose, pólipos endometriais com características de malignidade, lesões pré-cancerígena e câncer de colo uterino e sangramentos anormais, sem melhora com tratamento clínico”, explica a ginecologista Vanessa Rocha de Oliveira.

De acordo com a profissional, existem três formas de realização de histerectomia: cirurgia abdominal, vaginal e laparoscópica. “Dessas, a mais realizada hoje é a histerectomia vaginal, que tem um tempo cirúrgico menor, com menos sangramento durante o procedimento, menos dor no pós-operatório e, consequentemente, uma recuperação mais rápida.”

Riscos

Como todo procedimento cirúrgico, existem riscos na histerectomia. “Ela é a segunda cirurgia mais realizada pelos ginecologistas, atrás apenas das cesarianas. As complicações cirúrgicas podem ser relacionadas com sangramentos aumentados durante o procedimento, além da possibilidade de lesões em órgãos próximos, como a bexiga e o reto. Também é preciso lembrar de risco de infecção pós-operatória. No entanto, podemos afirmar que a histerectomia costuma ser um procedimento seguro.”

Em boa parte dos casos, a histerectomia não envolve a retirada dos ovários. Se houver a sua preservação, a produção hormonal continua a mesma. A mulher só não vai mais menstruar. Além disso, nada muda na hora do sexo, já que a anatomia do canal vaginal, a lubrificação e o desejo continuam os mesmos. Quando os ovários são removidos, a mulher entra em menopausa cirúrgica e pode precisar de reposição hormonal.

“A vida íntima praticamente não muda, até pode melhorar, porque a mulher fica livre dos sangramentos aumentados e até inesperados. Em alguns casos que necessitam da retirada dos ovários junto do útero, acontece de a vagina ficar mais ressecada, o que pode dificultar a relação sexual. Entretanto, esse quadro pode ser resolvido com uso de hormônios, pomadas vaginais e, mais recentemente, com o laser vaginal, que tem mostrado resultados bem satisfatórios.”

Última opção

O tratamento clínico e conservador deve ser a primeira opção. Para quem não responde bem a ele, em algumas situações a última alternativa acaba sendo a histerectomia, mas outras possibilidades de tratamento são exploradas, especialmente nos casos de mulheres que querem ter filhos ou estão perto da menopausa, já que uma das principais indicações de histerectomia é justamente para conter o sangramento. Quando a mulher entra na menopausa, não vai ter mais sangramento e acaba se livrando da cirurgia, se for possível aguardar um pouco.

O que é o mioma?

Trata-se de um tumor benigno comum entre as mulheres. O risco é maior para quem nunca engravidou, tem histórico na família (como mãe, avó e irmã que tiveram mioma) ou é da raça negra. Dependendo da localização e do tamanho, a mulher que tem mioma vai conseguir conviver bem com o problema. Mas é necessário fazer exames de controle e acompanhamento contínuo para o caso de agravamento da condição. Os miomas maiores podem comprometer o trato urinário, contribuir para a infertilidade, comprimir a bexiga e provocar infecção urinária. O sintoma mais frequente é o sangramento.

Laser íntimo

Indicado para o quadro de ressecamento pós-histerectomia, atualmente o chamado laser vaginal ou íntimo é considerado um recurso importante para a saúde, qualidade de vida e bem-estar da mulher. O procedimento é indicado para mulheres com afrouxamento e perda de tônus do canal vaginal, ressecamento e atrofia pós-menopausa, tratamentos médicos, como a quimioterapia, ou cirurgias como a histerectomia. O laser também é indicado para aquelas que sofrem com incontinência urinária leve. Além disso, o tratamento pode ser feito por mulheres que apresentem flacidez nos grandes lábios, levando a prejuízos estéticos.