Você sabia que acordar com rigidez nas mãos e nos pés pode ser sinal de uma doença inflamatória, gradativamente incapacitante e sem cura? A artrite reumatoide é um problema que atinge aproximadamente dois milhões de brasileiros segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e do Hospital Sírio-Libanês.
 
Apesar do número expressivo, o quadro geral da artrite é ainda mais assustador, pois, assim como não existe cura para a doença, sua causa também segue desconhecida. E para tornar o problema ainda mais complexo, uma pesquisa recente encomendada pela Pfizer constatou que 65% dos profissionais de saúde afirmam que seus pacientes não são sinceros sobre o seu estado de saúde. Ou seja, 72% dos portadores de artrite se sentem pouco à vontade para debater os receios com o profissional. 
 
Enquanto isso, em meio ao silêncio e a tantas dúvidas, as articulações seguem se deteriorando a ponto de tornar as tarefas diárias básicas, como escovar os dentes, vestir roupas ou mesmo girar a maçaneta da porta, verdadeiros desafios.
 
A artrite é classificada como doença autoimune – aquela que faz o sistema imunológico do corpo atacar tecidos saudáveis - e crônica, podendo alternar entre períodos de atividade e dor intensa e aparente dormência, mas ela sempre segue evoluindo silenciosamente. Daí a importância de observar todas as orientações médicas sem interrupção.
 
O ortopedista e traumatologista do Centro de Ortopedia Especializada (COE), Henrique Bufaiçal, ressalta que, com o tempo, a falta da medicação adequada vai culminar na necessidade de uma cirurgia. “Os procedimentos mais realizados são os de limpeza de tendões e articulações, a tenossinovectomia e a sinovectomia, respectivamente. Todos visam evitar deformidades e lesões mais graves e são indicados nas fases iniciais da doença. Em seguida, existem os procedimentos para deformidades já instaladas que são a transferências de tendão, artrodeses ou as artroplastias (substituições de articulações por próteses)”, explica o médico, acrescentando que as cirurgias para artrite reumatoide são bastante efetivas e raramente necessitam de revisões. “As tenossinovectomias, por exemplo, têm uma taxa de recidiva de apenas 10% e, se a doença voltar, vai se apresentar de maneira muito mais branda e menos sintomática que antes”, pontua.