Basta uma nova dieta chegar ao mercado para despertar o desejo de perder peso de forma rápida. No início, tudo vai muito bem e o sucesso em emagrecer parece enfim ter sido alcançado. Mas basta um descuido para que a gente relaxe na rotina e recupere todos os quilos perdidos. Aí vem aquela sensação de fracasso. Esse efeito sanfona é ou não um terror?
 
As oscilações que envolvem perda e ganho de peso acima de cinco quilos são mais prejudiciais à saúde do que o sobrepeso estável, de acordo com o nutrólogo Reynaldo Pedrosa. No caso de fatores genéticos ou comportamentais desfavoráveis, o importante é a pessoa não “entregar os pontos”, continuar se cuidando e respeitar fatores como biotipo e idade. "Ter um bom e adequado estilo de vida é mais importante do que ser magra.”
 
De acordo com o especialista, a briga com a balança ocorre pela falta de compreensão do que é o controle de peso. A genética não é variável, ou seja, deve ser aceita na hora de estipular uma meta de controle ou perda de peso, e toda dieta deve ser pensada como uma mudança no estilo de vida. “É uma mudança para o resto da vida. Deve-se, então, manter a disciplina.” 
 
Pazes com a comida

O nutrólogo Reynaldo Pedrosa destaca que o fato de o indivíduo ter uma genética desfavorável ou ser de uma família de obesos ou com sobrepeso não o obriga a ser obeso também, só vai exigir que ele tenha uma disciplina maior. 
 
“Mas não estabeleça metas inalcançáveis. Não busque dietas que sejam totalmente contrárias ao seu paladar ou gosto pessoal. Procure ser simples. Não existe alimento milagroso, assim como não existe comida proibida. Nós podemos comer de tudo, principalmente aquilo de que gostamos. Não devemos separar essa relação entre alimentação e prazer, como se comer fosse simplesmente engolir uma ração”, defende Reynaldo.
 
Hormônios como vilão

A nutricionista Mirian Bento vem lembrar que, no caso das mulheres, a oscilação hormonal também interfere no ganho de peso. Além disso, um erro comum é pensar somente na dieta e esquecer-se da qualidade do sono, do prazer, do funcionamento intestinal, hepático e renal, da ingestão hídrica e da qualidade dos alimentos. “O sucesso é possível sem muito sofrimento, desde que a pessoa esteja pronta, decidida, perca a pressa e, acima de tudo, tenha persistência.” A ajuda de profissionais capacitados deve vir aliada a essas medidas para que todos os fatores sejam avaliados e corrigidos, se necessário.
 
Em busca do equilíbrio 

Para fazer as pazes com a balança, o médico Reynaldo Pedrosa enumera algumas dicas que trazem equilíbrio:
 
Dieta x estilo de vida: a dieta a longo prazo é um estilo de vida permanente. Se a genética é propícia ao sobrepeso, a vida precisa ser condicionada a esse dado.
 
Simples, porém diversa:
 respeite seu paladar. Ninguém precisa comer o que não gosta. Mas tenha boa vontade com os alimentos que são saudáveis e menos calóricos. Os mais calóricos não são proibidos, mas devemos ter o bom senso de restringir a quantidade e frequência da ingestão.
 
Consuma menos industrializados: eles são ricos em açúcar e/ou sódio e pobres em fibras e proteínas.
 
Nada de carboidratos à noite: não consuma esses alimentos no final da tarde e à noite. Lembre-se de que você está caminhando para o repouso e aquilo que não for queimado vai ser estocado em forma de gordura.
 
Alimentos não curam frustrações: se a pessoa é bastante ansiosa ou tem um quadro inicial de depressão, é preciso buscar outros tipos de tratamento para esses problemas, principalmente com psicólogo e psiquiatra. A comida não deve servir de alívio.
 
Metabolismo x idade: se o metabolismo diminui com a idade e os hormônios passam a jogar contra você, os remédios são uma alimentação balanceada e moderada e a prática de atividades físicas regularmente.