Será que consumir carnes brancas realmente ajuda a não aumentar o colesterol ruim? Segundo estudo realizado na Universidade da Califórnia a resposta é não. O alto consumo de carnes ricas em ácidos graxos saturados, sejam elas brancas ou vermelhas, aumenta o colesterol, principalmente o ruim (LDL) quando comparado a uma dieta sem carne. Segundo a nutricionista Gracielly Faria, o importante é estar atento à quantidade consumida, dar preferência para cortes de carnes mais magras com menor concentração de gorduras trans ou saturadas e preparar o alimento adequadamente.

Na pesquisa, durante quatro semanas, um grupo se alimentou só com carnes “gordas”, vermelha ou branca. Já outro com carnes “magras”, também vermelha ou branca. Um terceiro grupo não consumiu carne, mas ingeriu derivados do leite. O resultado mostrou que quem não consome carne tem os níveis de colesterol mais normalizados. Segundo a nutricionista, a recomendação para o consumo de gorduras diárias é de 25 a 35% do valor energético total. 

Em indivíduos que apresentam fatores de riscos, como doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, sobrepeso, obesidade, circunferência da cintura aumentada, síndrome metabólica, o consumo deve ser de 7 a 10%. “Para quem não come carne, é necessário evitar leite integral e queijos amarelos, dando preferência ao leite desnatado e queijos magros como ricota e cottage. Para quem consome carne, a dica é evitar consumo de embutidos, torresmo, salsicha e sempre optar pela retirada da gordura e das peles da carne antes de fazer a preparação, que deve ser, preferencialmente, cozido, grelhado ou assado, evitando frituras frequentes. Também é necessário enriquecer o cardápio com fibras, frutas, legumes e verduras para ter a diminuição dessa gordura no sangue”, afirma Gracielly.

Não tenha medo das gorduras boas

Segundo a nutricionista, muitos pacientes chegam ao consultório com a preocupação de que o consumo de qualquer gordura deve ser banido porque atrapalha na perda de peso. “Esse é um grande mito. A verdade é que o consumo de qualquer alimento deve ser equilibrado e com as gorduras devemos focar na qualidade delas, dando preferência para as chamadas gorduras ‘boas’, que são insaturadas. Elas podem ser encontradas em alimentos de origem vegetal, como azeite de oliva, castanhas (nozes, amendoim, amêndoa, castanha-do-pará, avelã), sementes (linhaça, chia, abóbora) e abacate. Nos alimentos de origem animal, essa boa gordura está em peixes como salmão, sardinha e atum”, pontua Gracielly.

Dieta cetogênica

A famosa dieta cetogênica tem como princípio reduzir o máximo possível o consumo de carboidratos (massas, arroz, batatas, pães) e aumentar o consumo de lipídeos (gorduras) e proteínas (carnes, queijos, leites, ovos) com o objetivo de perda de peso. “Ela possui uma habilidade de induzir a síntese de corpos cetônicos, melhorando a oxidação de lipídeos corporal, mas ao mesmo tempo pode ser prejudicial, podendo causar dores de cabeça, perda dos músculos, dificuldade de concentração e afetando também o humor”, finaliza a nutricionista.