Já parou para pensar no teto da sua casa? Ou, ainda, de que material é feito o forro e qual a sua função prática? Além da estética e de abrigar grande parte da iluminação do ambiente, o forro esconde as vigas, telhas e instalações de uma casa. O item também pode modificar a altura do pé-direito e promover isolamento térmico e acústico. E, é claro, o teto pode enriquecer visualmente o local, delimitar espaços, criar um ambiente aconchegante e ganhar itens extras como caixas de som e de decoração.

As opções de materiais são diversas e podem seguir a necessidade de cada espaço. Entre os mais comuns, estão PVC, madeira, bambu, drywall, gesso, fibras minerais e lã de vidro. “Há muitas possibilidades de materiais, desenhos e estilos e essas escolhas geralmente são feitas de acordo com o conceito do espaço. Vão desde questões funcionais, como esconder tubulações e embutir iluminação, até efeitos como ampliar um ambiente, iluminar, entre outros”, comenta a arquiteta Isis Dallarmi.

Ambientes diversos

Dependendo da proposta, o forro pode criar diversas sensações em um ambiente. “Delimitar espaços utilizando alturas diferentes de gesso e usar materiais que tragam aconchego e calor para o ambiente, como a madeira, que pode ser utilizada no forro em chapas lisas ou ripadas, conferindo também sofisticação aos ambientes” cita.

Por meio da pintura, é possível criar outros efeitos, como achatar o cômodo usando cores escuras, que promovem uma sensação de pé direito menor. “Em contrapartida, utilizando tons claros nas paredes e forro é possível criar uma sensação de amplitude. As possibilidades são diversas, basta colocar a criatividade ao seu favor”, ensina.

Se a sua ideia é demarcar ambientes com sutileza, o teto pode ajudar no resultado. “É possível rebaixar uma parte dele, marcando um ambiente ou uma transição de ambientes. É muito comum usar rebaixos alinhados em vigas para criar um volume em destaque nos projetos”, explica a arquiteta.

Trocar o material do forro em um determinado ambiente, expor a laje como partido arquitetônico e usar o forro para esconder tubulações em áreas molhadas são outras possibilidades. “Também é uma boa estratégia usar rasgos e sancas para demarcar circulações, destacar espaços ou criar elementos decorativos no gesso que vão funcionar como marcos/demarcações em cada área do ambiente integrado”.

Custo benefício

As opções de materiais são muitas, mas a arquiteta Carina Dal Fabbro tem um preferido: o forro de drywall, também conhecido como gesso acartonado, que ela afirma usar em 90% dos projetos. “Além de nos dar praticidade e agilidade na execução, conseguimos empregá-lo em projetos internos residenciais e comerciais”, comenta.

Entre os detalhes para se atentar na hora de decidir pelo material, ela destaca a limpeza e a manutenção. “É mais fácil remover manchas em superfícies lisas, por exemplo. A dica é usar uma esponja com detergente ou borrifar outros produtos existentes no mercado”, sugere. Entretanto, para ambientes com mais exposição à umidade, como banheiro, cozinha e área de serviço, é preciso avaliar a resistência das placas de drywall em contato com a água, que podem danificá-las.

Para quem pensa em trocar um forro já existente, Carina dá algumas orientações. Quem procura pelo melhor custo benefício, o PVC e o gesso são amplamente encontrados no mercado. Com o drywall, mais possibilidades podem ser exploradas no projeto. Essa troca de forro pode criar diferentes possibilidades no ambiente, como instalação de iluminação e caixas de som de forma embutida, facilitando as manutenções de rotina.

“O forro mais utilizado em grande parte das edificações, pela sua facilidade e custo, é o forro de gesso de placas, geralmente pintado em tinta branca fosca”, comenta Isis Dallarmi. O gesso de placas, no entanto, oferece algumas limitações construtivas. “A sua estruturação é em amarração na laje e necessita de uma mão de obra caprichosa para ficar regular”, explica.

Seguindo a mesma linha, o forro de gesso acartonado ou drywall oferece um melhor acabamento e qualidade de execução. “Mas é claro que existem outros materiais que cumprem a função do forro, dependendo da proposta e intenção de investimento”, avalia.

Toque de luz

A iluminação anda de mãos dadas com o forro do teto. “A iluminação é um elemento muito poderoso em um projeto e, quando usamos o forro como estratégia para embutir as peças ou criar fontes diversas de iluminação, os ambientes se transformam em espaços de sensações incríveis”, comenta Isis Dallarmi. Além das luminárias que podem ser cheias de charme, a sanca é uma solução que atua junto com a iluminação e ajuda a criar o efeito final do ambiente. As sancas são feitas com a modelagem do acabamento de gesso entre o teto e a parede, funcionando como uma espécie de moldura.

A sanca fechada não possui abertura e a iluminação geralmente é feita com pontos de luz centrais e spots em sua base. Já a aberta deixa um espaço aberto nas laterais, rebaixando as placas de gesso em relação ao nível do teto. Essa técnica permite o uso de diversos pontos de iluminação, ideal para quem deseja um ambiente com clima intimista.

“Podemos fazer no próprio forro sancas e rasgos de forma a oferecer uma iluminação aconchegante e suavemente distribuída no ambiente”, diz Isis. É possível, ainda, embutir peças, impedindo que o forro fique poluído. “As peças de iluminação, como perfis indiretos embutidos, por exemplo, podem trazer uma luz suave e elegante. As peças pontuais, como as de lâmpadas dicroicas, também podem ser colocadas de forma a oferecer uma luz mais difusa e acolhedora”, cita.

A arquiteta acredita que uma iluminação bem pensada eleva o ambiente a um local agradável muito além da estética. “É possível explorar o máximo da potencialidade de um local em oferecer bem-estar e qualidade de vida a aqueles que usam esses espaços, além de conferir beleza e harmonia aos ambientes”, comenta.

As luminárias podem ter a cara do morador e combinar com o ambiente, seja no estilo industrial, clássico, moderno, colorido, de metal, entre outros. Para que a instalação dessas peças seja bem-sucedida, Carina Dal Fabbro pontua que é preciso que o pé-direito do ambiente tenha, no mínimo, 15 centímetros. “Para esse caso, os forros de drywall e de gesso estão entre as melhores alternativas”, garante.

A escolha da lâmpada também dá o tom do clima que se deseja criar: lâmpadas com luzes de temperaturas mais quentes, de tonalidades mais amareladas, remetem a relaxamento e conforto e são ideais para os quartos. Os abajures podem criar cantinhos de iluminação no cômodo, dando o efeito de luz.