A diversidade é a maior riqueza brasileira. Diversidade cultural, gastronômica, climática e, claro, de pessoas. Somos milhares de rostos, formatos, corpos e cores. Cada pessoa é um universo de misturas com tonalidades diferentes de cabelos, pele, olhos e sobrancelhas. Até o “branco do olho” muda de pessoa para pessoa. Nossa coloração pessoal é quase uma impressão digital, praticamente única.
 
Assim, quando falamos de moda, descobrir o que combina com cada uma de nós é o primeiro passo para construir nosso estilo pessoal, transmitindo a mensagem que queremos. Nesse processo, uma consultoria de estilo ajuda a fazer a análise de cores e desenvolver uma autoimagem coerente. 

Entenda
 
Com alguns testes em luz natural, é possível avaliar o impacto das cores na pele. Três características são avaliadas: temperatura (cores quentes, com mais pigmentos amarelos, ou cores frias, com maior presença de pigmentos azuis), intensidade (cores mais vibrantes e brilhantes ou mais opacas ou suaves) e profundidade (cores mais claras ou mais escuras).
 
A temperatura, por exemplo, separa a “família” das cores, sendo possível fazer uma amostra desse teste em casa: diante de uma janela, para aproveitar a luz natural do dia, basta escolher duas peças de temperaturas diferentes, tirar uma foto com cada peça e observar o efeito na pele. “Uma dica legal é que com os tons de rosa é mais fácil identificar a diferença de temperatura na pele. Rosas quentes são mais para o coral ou pêssego e rosas frios são mais arroxeados, tendendo para o lilás”, sugere a consultora de estilo Fernanda Moraes.
 
“Aquelas cores que combinam com a pele refletem positivamente, proporcionando um rosto mais corado e com rubor. Elas ainda criam a impressão de uma pele mais homogênea e iluminada, além de disfarçar as olheiras e até suavizar marcas de expressão. Já as cores que não harmonizam com a pele, deixam o rosto mais pálido e amarelado, evidenciando marcas, imperfeições e até o aspecto de cansaço”, completa a especialista.
 
Truque amigo
 
Quem adora uma cor que não lhe favorece e, portanto, que tenha ficado de fora de sua cartela pessoal, não precisa se preocupar. Existem segredos para não abrir mão de usá-las. “Precisamos ser fieis à análise de cores nas peças da cintura para cima, como blusas, casacos, lenços ou echarpes, pois elas iluminam o rosto e o pescoço. Mas se você está usando na parte de cima um tom que esteja fora de sua cartela de cores, é bacana usar um lenço, uma jaqueta ou um casaco no tom correto, pois essa peça fará o efeito de iluminar o conjunto”, afirma a personal stylist Lidi Santos.
 
Maquiagens e acessórios também podem ser usados para burlar as regras da paleta de cores. Por exemplo, uma pessoa com uma cartela fria e clara não terá preto em suas cores favoráveis, mas é possível equilibrar o uso do preto com batons de tons frios e mais claros ou, ainda, usando acessórios em prata e/ou com pedras em cores presentes na sua cartela.
 
Contraste

 
As combinações dependem da relação entre as cores da pele, cabelo, olhos e sobrancelhas. Quem tem uma pele muito clara e o cabelo escuro, por exemplo, tem alto contraste, por isso o ideal é usar roupas com grandes contrastes, como peças em preto e branco ou azul marinho com bege. A maioria das mulheres brasileiras tem contraste médio por causa da miscigenação. Alguns exemplos de tipos de contrastes em famosas são: Angélica Huck (baixo contraste claro); Maria Júlia Coutinho (baixo contraste escuro); Anne Hathaway (contraste alto); Bruna Marquezine (contraste médio).
 
Círculo cromático
 
Dentro do processo da análise de cores, o círculo cromático exerce um papel fundamental para entendermos as possíveis composições da cartela pessoal. Ele é uma forma de apresentação das cores primárias, secundárias e terciárias e é muito utilizado para demonstrar a origem de cada uma, assim como para apontar as possibilidades de combinações.
 
“As cores análogas são as que ficam lado a lado no círculo cromático e têm origens parecidas, por exemplo, azuis e verdes ou amarelos e laranjas. Combinar cores análogas no look gera uma imagem criativa, porém mais leve e sutil, de fácil assimilação”, explica Fernanda Moraes. “Já as cores complementares são opostas e têm origens diferentes. Essas combinações são para pessoas mais ousadas, pois resultam em looks mais chamativos”, acrescenta Lidi Santos.
 
Look favorável

 
A cantora Anna Jukes, 38, passou pelo processo de consultoria de imagem e ficou surpresa com sua análise de cores. O armário que era basicamente preto, branco e verde militar precisou ser renovado, pois, apesar do verde constar em sua paleta, o queridinho P&B estava fora. “No meu trabalho o visual é muito importante e, mesmo sendo apaixonada por moda, eu tinha dificuldade em sair do convencional. E mais interessante do que descobrir minha paleta de cores, é a maneira como a profissional ajuda a utilizar isso a nosso favor”, afirma.
 
O pretinho básico não foi abandonado, mas agora é usado com truques como acrescentar uma sobreposição ou acessórios com cores que a favorecem mais. O branco tem sido substituído pelo off-white e Anna ainda descobriu cores nas quais nunca pensou em arriscar, entre elas, o vermelho que, atualmente, é a nova paixão. “Utilizar uma paleta que combina com meu tom de pele valoriza minha beleza natural e me deixa mais bonita, o que influenciou diretamente na minha autoimagem. Arriscar outras cores de maneira coerente e sair da minha zona de conforto refletiu intensamente na minha autoestima”, finaliza a cantora.
 
Mitos e verdades
 
Preto cai bem para todo mundo

MITO. Nem todas as cartelas possuem preto ou branco. A máxima do pretinho básico está ligada à ilusão de ótica e convergência do olhar. Mas qualquer cor mais profunda terá esse efeito, então é possível identificar o “pretinho básico de cada pessoa” nos tons neutros escuros, como cappuccino ou grafite, por exemplo.
 
A temperatura da pele pode ser definida pela reação ao sol (pele fria queima e pele quente bronzeia)

MITO. Em um país com tanta miscigenação é impossível ter isso como regra porque todo mundo tem um pouco das duas temperaturas. Apenas com a comparação dos tecidos podemos ver qual das duas temperaturas é predominante.

Loiras não ficam bem de amarelo

MITO. Existem muitos tons de loiro, com temperaturas, intensidades e profundidades diferentes, assim como os nudes. A análise de cores define a cartela pessoal, e muitas composições com amarelos em tons diferentes podem ser feitas a partir dela.

Mulheres plus size podem usar estampas e listras

VERDADE. O formato do corpo não deve definir o certo e errado. Existem infinitos tipos de estampas e listras com indicações e composições favoráveis. As listras horizontais, por exemplo, podem ser combinadas com uma terceira peça lisa, como um colete ou casaco, criando uma linha vertical que alonga a silhueta.