Dizem por aí que os 30 são os novos 20. Sendo assim, os 40 são os novos 30 e os 50, os novos 40. Em resumo, podemos falar que atualmente vivemos um momento no qual as gerações não se relacionam com a idade cronológica. Esse movimento é chamado de ageless e faz parte de um processo que tem forçado o mercado a dar maior representatividade a grupos antes estigmatizados, seja por cor, orientação sexual, gênero ou pela idade.

E, quando o assunto é moda, não faltam exemplos de pioneiros que provaram que não existe idade certa para ter estilo. Ainda é fácil encontrar campanhas de roupas e cosméticos que vendem produtos usando apenas modelos esbeltos, jovens, com corpos definidos e muito Photoshop. Mas, a cada temporada, a associação antes instantânea entre moda e juventude fica menos evidente. Vemos, assim, uma revolução na forma como a indústria lida com a idade.

“O movimento ageless vem ocorrendo há algum tempo, apesar do tema ter entrado mais em voga nos últimos anos. Aqui, falamos da representatividade de pessoas com mais de 50, 60 anos, seja no cenário econômico, político ou da moda. Atualmente, essas pessoas se mostram de forma contemporânea, mais clara, com uma postura mais jovial. As pessoas nessa fase da vida não devem seguir padrões antigos e mitificados. Não existe mais uma cobrança e, sim, um movimento para mostrar que a moda e a beleza não têm idade”, explica a consultora de imagem pessoal e corporativa Sheyla Doumit.

“Com 50 anos ou mais, as pessoas já não apresentam tantas inseguranças e contam com maior autoconhecimento. Elas encaram a moda com outro olhar e entendem melhor o próprio estilo. É um momento de usar seu vestuário para mostrar sua maneira de ser. É preciso ressaltar que o essencial para estar na moda é se conhecer, saber o que condiz com a sua personalidade, seu estilo de vida e sua silhueta. A moda traz a liberdade para se expressar, mas, para se vestir bem, você tem de estar condizente com o que é, sem perder sua essência”, ressalta a consultora.

Para Sheyla, uma orientação básica para identificar o próprio estilo é percorrer as preferências durante todas as fases da vida. “Um dos primeiros exercícios para identificar o próprio estilo é voltar ao passado e buscar sua história, lembrar como você era quando criança... Claro que o estilo vai mudando com as fases da vida, mas entender o que você gostava e o que você usava desde cedo pode te ajudar a pontuar. Faça uma lista do que é importante para você dentro do vestir-se.”

Nessa lista, a pessoa deve elencar o que quer quando o assunto são roupas: beleza, conforto, praticidade, elegância? “Depois que você fizer isso, vai direcionar melhor o seu guarda-roupa. Você passa a olhar de uma forma diferente para suas roupas e percebe se aquilo está se encaixando ou não ao seu estilo de vida atual.”

Para investir na moda ageless

Confira as dicas da consultora de imagem pessoal Sheyla Doumit para apostar no movimento ageless.

- Use roupas de acordo com o seu biotipo. Roupas grandes e largas demais podem aumentar a sua silhueta, por exemplo. O ideal é usar o que vai valorizar o seu tipo físico.

- Aposte em roupas que expressem sua personalidade e abuse das cores. Elas trazem leveza, jovialidade e uma mensagem de alto astral.

- Use acessórias a seu favor. Muitas peças interessantes podem agregar valor ao seu look, valorizando também a sua silhueta.

- Encare a moda como aliada e não como uma necessidade de vida. Use-a para expressar livremente aquilo que você deseja, mas de uma maneira tranquila, sem se tornar uma dependente.

- Vista-se para mostrar que a idade não conta. Use roupas segundo o seu estilo, exalando liberdade e quebrando tabus. A moda não é feita só para certas fases da vida.