Até pouco tempo, isolamento social, hábitos excessivos de limpeza e o uso de máscaras parecia ser coisa de filme de ficção científica. Ante a pandemia do novo coronavírus, comportamentos têm se transformado e mudanças na cultura coletiva já podem ser observadas: basta dar uma leve passada de dedo nas redes sociais. Nesse pulsar de conversões, a máscara torna-se cada vez mais um elemento essencial na vestimenta e cumpre um papel na questão da saúde.

Com a falta de máscaras descartáveis nas farmácias, a procura pelo acessório em diversos formatos, como as de pano, aponta para outros caminhos a demanda do mercado de moda. Foi pensando a máscara como um acessório fundamental em tempos de pico do novo coronavírus que a designer Naya Violeta tratou de aproveitar materiais que ela já tinha em seu atelier, no Setor Universitário, e produzir alguns volumes para seus amigos, familiares e clientes. “Foi uma forma de mostrar que o momento é de coletividade”, conta.

O mimo tomou proporções que a estilista nem imaginava. Foi aí que, em suas redes sociais, Naya tem recomendado costureiras e outras profissionais da moda produzam máscaras de pano em estilos específicos. “Ao indicar profissionais que estão trabalhando com esse nicho, fazemos circular a produção da moda local”, destaca.

Em formatos, cores, estampas e texturas diferentes, a ideia é que o acessório possa ser menos danoso ao meio ambiente, já que é reutilizável. As máscaras personalizadas foram o caminho encontrado pela estilista Su Martins, do atelier Salamandra de Fogo, para manter a produção de moda de sua marca autoral. Com acabamento e estilo distintos, suas máscaras refletem um pouco sobre o estilo pessoal da profissional.

“As máscaras não são apenas um adorno. Elas precisam cumprir um padrão de qualidade do material. Eu fiz todo um estudo e pesquisa para entender modelagem, materiais, tecidos”, explica a estilista, que desde o início de março começou a produzir o acessório para trabalhadores da área da saúde. Com a intensa procura, Su abriu para seus clientes e hoje produz em média 100 máscaras por semana, mediante encomenda. “As pessoas têm me procurado muito, há uma fila de espera. Para a criação do acessório, busco materiais informativos a respeito dos formatos e da questão da saúde, higienização, limpeza”, explica.

A estilista trabalha com o modelo tradicional cirúrgico, tanto de elástico quanto de pano para amarro. Há clássicas lisas, modelos masculino e feminino. Também criou uma linha exclusiva para as crianças. “Existe um padrão de tamanho, mas há o interesse nas máscaras sob medida. Muitas pessoas têm rostos de tamanhos diferentes.”

Su trabalha com moda desde os 15 anos. Ao longo da carreira, mostrou-se interessada na pesquisa autoral e nos caminhos de um mercado que vive em constante transformação. Para a estilista, a moda é volátil e se adapta ao que acontece no mundo. “Eu já sentia um vazio em produzir roupa por mero adorno, já tinha esse incômodo”, diz. A cada número xis de máscaras vendidas, a goiana ainda doa peças para instituições, como grupo de idosos e voluntários que servem comida na rua. “É uma contrapartida consciente.”