O escritório da gerente de consultoria e serviços Marcilene Ramos, de 32 anos, agora fica a poucos passos do quarto. Desde o dia 19 de março está trabalhando em sistema de teletrabalho e precisou improvisar: a mesa de jantar agora tem um computador e a cadeira da empresa ganhou permissão para ir para sua casa. As reuniões por vídeo são diárias e, por isso, a adega que aparece no fundo também foi repaginada: saíram as garrafas, entraram os livros. O porta-canetas foi a cereja do bolo para criar o ar de escritório que precisava.

“A minha rotina, no entanto, continuou a mesma. Acordo, faço o treino por meio das lives da academia, tomo banho, café da manhã e me arrumo como se estivesse saindo para trabalhar, incluindo maquiagem”, conta. Marcilene chama a atenção dos colegas por aparecer nas chamadas por vídeo da mesma maneira que ia para a empresa. “Eles brincam que eu pareço me arrumar até mais”, diz. Para ela, manter o dia a dia parecido com a rotina de antes do isolamento social é fundamental para a sua produtividade. “Faz toda a diferença tomar um banho, encerrando a noite de sono, para começar o expediente de trabalho”, explica.

Durante o dia, ela participa de diversas reuniões, em diferentes horários. Se uma chamada surpresa surgir, não é problema; Marcilene está preparada. “A única diferença com o home office é que eu não estou saindo de casa; agora, é do quarto para a sala. Organizar um espaço fora do ambiente que a gente dorme, tomar um banho e trocar de roupa ajuda na sensação de mudança de ares.”

Ela observou nos últimos meses que a falta de rotina, inclusive na hora de se vestir, pode ser prejudicial para o desempenho profissional de alguns. “Isso acaba deixando a pessoa menos ativa, dá uma sensação de relaxamento estar em casa”, acredita. “É bem nítido quando preciso finalizar alguma coisa de trabalho no fim de semana, quando não sigo minha rotina. Muitas vezes nem sento na mesa, levo o computador para o sofá mesmo.”

Nas chamadas de vídeo diárias de que participa, Marcilene aparece somente da cintura para cima. As camisas e blusas escolhidas para o dia a dia em home office permanecem as mesmas do período em que se deslocava até a empresa; da cintura para baixo, no entanto, tem a liberdade de variar. “Eu procuro estar sempre com peças que, se eu precisar sair com urgência para dar um pulo na empresa ou ir ao mercado, já estou pronta. Em dias mais quentes, não uso calça, mas escolho um short de alfaiataria ou jeans”, conta.

Os pés também ganharam folga durante esse período. Para compor o look de trabalho em casa sem perder o conforto, Marcilene opta por sapatilhas de tecido. “Uso a meia-sapatilha esportiva, aquela de pilates. Aproveito para hidratar os pés quando estou com ela”, conta.