Quem já foi ao teatro pelo menos uma vez na vida sabe bem a importância que a iluminação tem em cena. Um bom iluminador consegue criar e ambientar no mesmo palco diferentes cenários e ampliar as emoções neles exploradas. Quando o assunto é arquitetura e decoração de ambientes, luzes e luminárias vão muito além da função de iluminar. São elas as responsáveis por destacar espaços e objetos, criando um clima intimista, sofisticado e aconchegante nos mais variados ambientes.

Responsável pelo departamento de design e tendências da Yamamura, a arquiteta Gabriela Tiemi Minagawa Yokota ressalta que é com a iluminação que espaços internos e externos são valorizados e destacados da melhor forma. “Assim, é possível deixar uma iluminação cenográfica convidativa para a fachada da sua casa, por exemplo, ou, quem sabe, dar aquele toque final que enfatiza a decoração e traz todo o aconchego que o seu lar necessita. Não exclusivamente para ambientes residenciais, como também, nos corporativos, os projetos luminotécnicos vêm para evidenciar aquilo que há de melhor na arquitetura e decoração”, explica.

Grande parte dos profissionais da área sabem que sem luz adequada a arquitetura, em especial a interna, pode não ser experimentada ao máximo. A iluminação de um ambiente permite que ele se torne seguro e confortável, além de adicionar estilo à decoração. Qualquer cômodo pode ser beneficiado pela harmonia e fluidez do design, quando o uso das luzes for adequado. O segredo de uma boa iluminação decorativa é ter o jogo de luz e sombra para criar um efeito cênico e valorizar os itens.

Mesmo assim, o projeto luminotécnico, elaborado a partir da análise da função dos ambientes, da quantidade de luz necessária para os espaços e do cálculo do nível de iluminação para um conforto visual eficiente, ainda é um termo pouco popular e acaba sendo negligenciado. “É comum que, mesmo profissionais formados e experientes, tenham pouco conhecimento sobre o universo da iluminação. Por conta disso, muitos acabam recorrendo ao senso comum que, em diversos casos, não possui muitos embasamentos técnicos, e que por consequência pode criar resultados diferentes do esperado”, alerta Gabriela. Isso porque cada tipo de fonte de luz envolve uma série de informações técnicas que têm relevância para as características que influenciam no visual final.

Ao contrário do que muitos moradores pensam, o projeto de iluminação do ambiente deve ser pensado no momento da construção ou reforma, pois assim há uma flexibilidade maior para mudanças, além de poder trabalhar junto com a luz natural dos ambientes. Deixar para pensar a iluminação com o cômodo já pronto e decorado é um dos erros mais comuns.

“É comum também que as pessoas introduzam pontos de luz de acordo com o senso comum e pelos costumes do dia a dia, sem consultar um especialista”, explica Gabriela. O desalinhamento dos pontos de luz em um mesmo ambiente, a utilização de temperaturas de cor que reforçam sensações divergentes das esperadas e o excesso de brilho por meio de luzes focais em locais indevidos são os três erros que mais contribuem para a sensação de desconforto e desvalorização estética do espaço.