Se no vestuário o monocromático é a pedida mais fácil, na decoração é preciso ir no sentido contrário. A arquiteta Cristiane Schiavoni aponta, ainda, que é preciso cuidado ao pensar em um ambiente utilizando as duas cores. “Cuidado para não fazer tudo cinza e amarelo, porque fica muito repetitivo e cansativo. O que podemos fazer é uma composição sem esquecer das outras cores que dão equilíbrio para essa dupla”, explica. “Claro que podemos ter o cinza e o amarelo como principais, mas o azul em um pequeno detalhe de um quadro, junto com o amarelo, vai destacá-lo. Com o cinza, usar um roxo ou vermelho”, indica.

Pensar nas sutilezas de detalhes em outras cores pode, portanto, valorizar o cinza e o amarelo quando eleitos principais. “E, assim, podemos criar realmente um ambiente equilibrado”, diz. Mas aonde fazer a combinação entre o ultimate-gray e o illuminating? A arquiteta responde que em qualquer ambiente da casa. “Você dá mais ênfase para o cinza ou para o amarelo, de acordo com o que você quer transmitir no ambiente”, explica.

Para um ambiente mais alegre, descontraído e despojado, o amarelo pode entrar com mais força ou em uma paleta mais neutra, entrando de forma pontual. “Acho que isso está de acordo com a personalidade de quem está usando a casa. Essa combinação é muito feliz no sentido de que pode realmente dosar a quantidade tanto de uma, quanto da outra cor, para colocar e expressar esse momento de vida do morador”, comenta.

Para não errar, o cinza, por ser uma cor neutra, pode ser a saída para quem ainda não tem muita prática com composição de cores. “Para quem tem medo de errar, use o cinza como base. Mas temos de tomar cuidado para não fazer tudo tão neutro e o ambiente ficar triste, sem nenhum tipo de contraste”, alerta a arquiteta. Lembre-se: a ideia aqui é fugir do monocromático. “Acaba que nada se destaca e você cria uma base que nem podemos chamar de neutra – vira apenas um grande volume de uma cor só”.

Brincar com texturas diferentes de um mesmo tom de cinza para a base pode ajudar a criar uma volumetria diferente. “Trabalhar com várias texturas e materiais dentro dessa base do cinza e jogar o amarelo pontuando essa combinação”, sugere. Mas até mesmo na hora de fazer essa pontuação é preciso tomar cuidado. “Lembrar sempre que não precisa ficar tudo combinadinho, o que acaba deixando a coisa monótona, nem destacada demais. Nenhum dos dois extremos são legais”, orienta.

A pintura de parede é um recurso fácil e de baixo custo para quem deseja investir em uma mudança de ambiente. “De repente, eleger uma parede em que o amarelo fica interessante e ir jogando, por exemplo, um sofá cinza na frente. Fica bem bacana”, comenta.