Beyoncé é um dos grandes ícones da música mundial, com feitos que a colocam em um patamar quase único - existem artistas, e existe a Beyoncé. Somente no quesito quebra de recordes, ela demonstra sua influência: em março deste ano, se tornou a mulher com mais Grammys da história, somando 28 prêmios. Em 2018, foi a primeira artista mulher a ter três álbuns com mais de 1 bilhão de streams em uma plataforma de música. Após lançar o disco Lemonade, se tornou a primeira artista da história a ter todos os álbuns da carreira no topo da lista de álbuns mais vendidos na primeira semana de divulgação.

O dia 4 de setembro (ainda) não se tornou um feriado, mas para os seus fãs é como se fosse o Dia Mundial da Beyoncé, que em 2021 está completando 40 anos. Com performances aclamadas, prêmios a perder de vista e álbuns históricos, ela vem usando sua influência para afirmar a história e abrir espaço para profissionais negros em diversas áreas. Recentemente, ela até se envolveu em uma polêmica ao posar usando usando o lendário diamante da Tiffany & Co. para uma campanha da marca, a quarta mulher a ter essa conquista no currículo e a primeira mulher negra a usar a peça.

Apesar de muitos elogios e admiração de um lado, ela foi alvo de críticas por ostentar o objeto de luxo de outro. Entre os pontos levantados, está a relação do diamante com a exploração e violência sofridas pela população negra da África do Sul, onde a pedra foi descoberta e extraída. Outro argumento perpassa o glamour de uma indústria que colabora para a desigualdade social ao valorizar a riqueza de alguém que consegue ostentar um colar avaliado em mais de 160 milhões de reais.

A alfinetada foi dada até mesmo pelo dramaturgo Aguinaldo Silva em sua conta no Twitter, que foi rebatido pela atriz Jéssica Ellen ao questionar sobre a falta de protagonistas negros em suas novelas. O ator Ícaro Silva também se manifestou nas redes sociais, criticando Aguinaldo e exaltando tanto Beyoncé, quanto outras personalidades negras e sua mãe, dona Jô do Espírito Santo. “Seu olhar viciado sobre a sociedade brasileira, expresso em novelas ainda hoje tão embranquecidas, não contempla nossa história, tampouco nosso tamanho”, diz um trecho da resposta do ator.

Famosas 40+
Beyoncé é aclamada por sua carreira na música repleta de conquistas e por inspirar seu público ao redor do mundo. Desde que começou a fazer sucesso em 1997, quando integrava o grupo Destiny’s Child, seu corpo ganhou grande parte dos holofotes, tanto quanto o seu talento. A cantora norte-americana se tornou referência de beleza e, com isso, também alvo de críticas e olhares minuciosos a cada mudança. Se as mulheres em geral sofrem cobranças da sociedade, da mídia e da indústria da beleza, imagine se você estiver em um patamar com o de Beyoncé.

A maternidade pode ser um dos momentos mais cruéis quando se fala nessa cobrança. A busca pela recuperação do corpo anterior à gestação se torna um fardo, principalmente para aquelas que não têm sucesso nessa área. Após dar à luz aos gêmeos Rumi e Sir, em 2017, as críticas à forma física da cantora não foram poupadas. Em entrevista a uma revista em 2019, ela afirmou que “não dá a mínima” e que, após 15 anos de flutuações de peso, estava feliz com o corpo.

Beyoncé está completando uma idade que é destacada como um grande marco: 40 anos. Recentemente, a atriz israelense Natalie Portman e as brasileiras Sabrina Sato e Mariana Ximenes também se tornaram quarentonas e, junto com os parabéns, outros comentários costumam aparecer acoplados, como “nem parece ter 40 anos” ou “como ela está conservada”. Com um misto de surpresa e admiração, esses comentários são vistos como sinônimo de elogios.

E quando as mulheres ultrapassam a marca dos 40 então? A atriz e cantora Jennifer Lopez causou burburinho na internet em julho, quando comemorou os 52 anos. “Não envelhece nunca”, foi o que a maioria das pessoas disse na ocasião. Alessandra Negrini se tornou até meme nas redes sociais, já que praticamente todo mês alguém descobre e se choca com a idade da atriz. “Não acredito que Alessandra Negrini tem 50 anos” frequentemente figura entre os assuntos mais comentados do Twitter por causa da beleza, charme e carisma que compartilha em fotos e vídeos nas suas redes sociais - mas, principalmente, pela faixa etária em que se encontra.

Ela, que completou 51 anos no dia 29 de agosto, chegou a comentar o assunto em entrevista a uma rádio. “O que são 50 anos hoje? Acho essa história muito chata. Existe um preconceito grande. Que peso é esse que minha idade tem? 50 anos é jovem. É muito chato isso”, disse. Além de exaltar o fato de que, veja só, mulheres continuam bonitas mesmo envelhecendo, os comentários, que vem majoritariamente de pessoas jovens, revelam o desejo de chegar na idade das artistas da mesma maneira. As atrizes Halle Berry, de 55 anos, e Cláudia Raia, de 54 anos, vira e mexe também são destacadas como exemplo a ser seguido, principalmente pela boa forma.

Envelhecer é um processo natural é importante
Existe uma parcela que não se importa de apresentar marcas do tempo no rosto, corpo e cabelos, enquanto outra busca retardar os efeitos do envelhecimento, seja por meio do estilo de vida e alimentação, de uma rotina religiosa de skincare ou até mesmo com a ajuda das tecnologias usadas em consultórios. E está tudo bem. O “xis” da questão é que, se a pessoa almeja passar pelo processo de envelhecimento se sentindo bonita consigo mesma, gostando do que vê no espelho ou mesmo aparentando ter menos idade do que realmente têm, os especialistas e as próprias mulheres que já chegaram nessas faixas etárias garantem: não é preciso ser a Beyoncé ou qualquer outra celebridade para conseguir, principalmente nos dias de hoje.

Ter em mente que o envelhecimento é um processo natural é importante, mas compreender como alguns fatores influenciam no corpo das mulheres a partir da faixa dos 40 anos auxilia nesse autoconhecimento e direciona para alguns cuidados especiais, a depender do objetivo de cada uma. A menopausa é um deles. O nome é dado à fase da vida em que a mulher para de menstruar e encerra a fase reprodutiva, que ocorre entre os 45 e 55 anos, com idade média de 51 anos. 

Entre os pontos afetados pela menopausa está a pele. “A produção dos hormônios estrogênio e progesterona cai e, com isso, também a produção de colágeno e elastina”, explica a dermatologista Fernanda Carla Castro. Essa queda de produção acarreta flacidez, perda da elasticidade e do tônus da pele, tornando a pele, cabelos e unhas mais finos, frágeis e ressecados. “Com a derme mais fina, ela fica mais suscetível a rugas, hematomas (os famosos roxos) e machucados com mais facilidade”, comenta a profissional.

De dentro para fora
Entre as conquistas que os 49 anos de vida trouxeram para a servidora pública federal Sheila Leandra Alves da Silva, ela destaca a maturidade e o amor. “É preciso amor próprio e estar com pessoas que te amam e te respeitam para alcançar o bem-estar constante, a leveza e a paz de espírito. E com a idade, vem a maturidade: você não se afeta tanto com coisas que antes te deixavam mal e percebe que o ser humano é frágil e limitado, não é perfeito”, comenta.

Ela acredita que sua essência se reflete em como enxerga e demonstra a sua beleza na idade em que está hoje. A alimentação também tem papel fundamental no seu autocuidado. “Faço acompanhamento com nutricionista. Acho que é o fator mais importante para manter uma aparência saudável com o decorrer dos anos”, diz. A prática regular de exercícios físicos possui uma série de benefícios e, para Sheila, ainda auxilia na regulação do seu nível de estresse. “Percebi que a musculação para tonificar os músculos e prevenir a flacidez, o pilates para manter a elasticidade e o ioga para me deixar menos tensa se mostraram extremamente positivos para diminuir os efeitos do tempo na pele”, observa. 

Outra coisa que não abre mão é do acompanhamento com sua dermatologista, que se tornou frequente desde os 36 anos. Os tratamentos se intensificaram cerca de dois anos depois, quando apresentou melasma no rosto durante a gravidez. Desde então, o filtro solar anda de mãos dadas com sua rotina. “Se a renda da pessoa não permite usar produtos mais caros, o filtro solar com cor já traz um efeito muito bom na prevenção do melasma”, indica. 
Com o passar dos anos, as demandas na pele de Sheila foram mudando. Há algum tempo, conta com as aplicações de toxina botulínica, principalmente na região das sobrancelhas, e de preenchimento com ácido hialurônico nos sulcos e ao redor dos olhos como aliados da aparência que deseja. “Agora, aos 49, a dermatologista indicou pela primeira vez a sustentação por meio de fios. Espero fazer em breve”, comenta. 

Desde que começou a realizar procedimentos estéticos não invasivos, ela prioriza resultados que deixem sua aparência a mais natural possível. “Acredito que se deve preservar as características próprias no rejuvenescimento. Não procurar os procedimentos pensando em se parecer com outra pessoa, cuja beleza chama atenção. Acho um erro”, diz. Alinhada com a maneira que a profissional que a acompanha trabalha, ela acredita alcançar o objetivo. “Me sinto bem comigo mesma e quando elogiam a minha aparência, não me perguntam o que eu fiz. É aquele elogio de quando a pessoa está sendo bem cuidada, e não de quem está se transformando”, explica.

Aliados da aparência
Contra fatos não há argumentos: os anos passam, o corpo sofre mudanças e a aparência se altera. E se você procura um grande aliado para essa jornada, um item é fundamental na prevenção do envelhecimento precoce: o filtro solar. “O envelhecimento da pele também pode ser influenciado por fatores externos, principalmente pela exposição sola r sem proteção. Por essa razão, se for para escolher um produto obrigatório, indispensável para o seu skincare, será sem nenhuma dúvida o protetor solar”, orienta a dermatologista Marília Prego Guimarães. 

O filtro solar é eficaz em prevenir o envelhecimento precoce decorrente da destruição das fibras de colágeno, além de todos os outros malefícios que a exposição solar sem proteção pode causar, tanto agudos, como as queimaduras solares, quanto crônicos, como manchas e o câncer de pele. “Como os danos da radiação solar são cumulativos, quanto mais cedo começarmos a fotoproteção, melhor estará essa pele no futuro, com menos manchas, mais tônus e mais turgor”, explica a dermatologista Fernanda Carla Castro. 

Ela salienta que o protetor é apenas uma das formas de proteção. “Como moramos num país com alta intensidade de radiação solar, faz-se necessário também o uso de roupas com FPS, chapéus e sombreiros. Uma queixa comum, principalmente após os 40 anos, são braços e colo manchados. Isso é reflexo da exposição solar crônica do dia a dia desde a infância”, completa.

E como falar de envelhecimento sem dar uma atenção especial ao colágeno? Marília Prego Guimarães explica que a partir dos 30 anos, em média, inicia-se a perda dele, ocorrendo naturalmente cerca de 1% ao ano. “Por essa razão, qualquer pessoa depois dos 30 anos pode ter a sensação do rosto estar derretendo”, diz. A quantidade na pele pode ser afetada e acelerada por dieta restritiva e ao ingerir poucas fontes de proteína, pela alta exposição solar, consumo exagerado de açúcar, estresse e tabagismo. “Os principais tópicos relacionados ao estímulo da pele a produzir colágeno são a vitamina C (ácido ascórbico) e os retinoides (retinol)”.

Sobre a suplementação de colágeno, ela afirma ainda ser um assunto muito controverso na dermatologia. “Há estudos que mostram que alguns tipos de colágeno (o peptan e o verisol) poderiam beneficiar a pele, mas essa informação não é 100% comprovada. Por isso, as formas mais comprovadas para o estímulo de novas fibras de colágeno são com procedimentos realizados em consultório, com os bioestimuladores de colágeno injetáveis”, explica. 

Como o nome já indica, os bioestimuladores fazem estimulação da produção de novas fibras da substância, melhorando a aparência da pele como um todo. Os mais utilizados são a hidroxiapatita de cálcio (Radiesse) e o ácido poli-L-láctico (Sculptra). Além deles, existem tecnologias que estimulam a produção e remodelação do colágeno como, por exemplo, o Ultraformer e Liftera (ultrassom micro e macrofocado).

Os bioestimuladores são recomendados para as queixas de perda do tônus da pele e flacidez. Os fios de PDO também podem ser indicados para esse fim. “Geralmente indico para faces com flacidez e que não tenham o rosto pesado; do contrário, os fios não se sustentam”, comenta Fernanda Carla. “Quando a necessidade maior é perda de volume e sulcos profundos, optamos por preenchimento com ácido hialurônico. E quando a questão é mais textura de pele e manchas, optamos por peelings, intradermoterapia com ativos clareadores e rejuvenescedores, microagulhamento, luz pulsada e lasers”, completa.