Há pouco mais de dois anos, a publicitária Janaína Melo de Brito e seu companheiro, o produtor audiovisual Thomaz de Carvalho resolveram empreender juntos abrindo uma produtora de conteúdo e vídeo em Goiânia. A dedicação rendeu vários projetos interessantes e bem remunerados. No entanto, mesmo com o sucesso empresarial, o casal não conseguia ver os ganhos advindos do trabalho. “Eu tinha a impressão de que, quanto mais trabalhava, menos dinheiro tínhamos. Não conseguia ver onde o dinheiro estava sendo gasto. Sempre estávamos lutando para fechar as contas”, recorda-se Janaína.

Foi a partir daí que ela resolveu fazer um curso rápido de educação financeira e se encantou pelo assunto. Após a conclusão, Janaína teve uma única certeza: que procuraria ajuda profissional para conseguir organizar suas finanças empresariais e pessoais. Ela se recordou de uma antiga amiga, a consultora de mercado Lana Christina Tomaz Serbeto, que sempre postava em suas redes sociais dicas sobre finanças, e resolveu recorrer aos seus conhecimentos. Iniciou-se, então, uma mudança na organização financeira da vida do casal, permitindo com que ambos pudessem perceber o potencial lucrativo e rentável do negócio.

“Com a mentoria da Lana foi possível direcionar nosso dinheiro de uma maneira muito melhor. Na verdade, a empresa realmente estava caminhando bem. Apenas precisávamos ajustar nossos gastos para conseguir usufruir melhor dos frutos de nosso trabalho, de maneira mais organizada, planejada e voltada para o futuro”, conta a publicitária.

A consultora financeira fez com que Janaína e Thomaz pudessem enxergar como eram feitas as entradas e saídas de caixa da empresa ao inserir o hábito das planilhas de gastos. A conclusão apareceu rapidamente: os empreendedores estavam gastando sem critério. “Nas primeiras semanas que começamos a preencher as planilhas já levamos um susto com os valores revertidos para comer fora de casa e até mesmo com idas ao salão de beleza. Essa atividade de anotar os gastos é realmente reveladora e pode fazer com que a gente mude muitos hábitos e gastos supérfluos”, analisa Janaína.

Outras atividades também puderam ser realizadas por meio da consultoria financeira: organização de fluxo de caixa, separação das finanças pessoais e profissionais, estabelecimento de salário para o casal e de metas a serem atingidas, como reverter o lucro dos investimentos em médio e longo prazos, entre outras. Atualmente, os dois já colhem os frutos de uma empresa bem organizada e com planejamento.

Mudança de vida

Lana Serbeto, a consultora responsável pela mudança de postura do casal, conta que se encantou pela área de finanças quando decidiu buscar mais informações sobre as modalidades de investimentos em cursos especializados no assunto para poder auxiliar na empresa da família que passava por uma crise financeira anos atrás.

Ao assumir a reestruturação dos negócios, Lana recorreu a cursos de MBA em Finanças e Gestão Corporativa. Em quatro anos, conseguiu tirar a empresa do vermelho e pôde observar sobras de caixa. Logo depois, ingressou no curso de curta duração Master em Investimentos, onde teve aulas com o educador financeiro Bruno Ribeiro, que atua há 13 anos na área e foi um dos incentivadores para que a aluna entrasse no ramo dos investimentos.

Hoje, ela se divide entre a gestão administrativa da empresa familiar, mentorias (como a oferecida ao casal Janaína e Thomaz) e assessorias de investimento. “O professor havia me dito que, se eu conseguisse a certificação, poderia atuar na equipe dele. Dois meses depois, eu bati na porta da empresa com a certificação da Câmara de Valores Mobiliários e cá estou, como ele me prometeu, atuando no mercado financeiro, exatamente como sonhei”, orgulha-se.

Educação financeira

Por sua vez, Bruno Ribeiro confirma que a área financeira realmente tem o poder de conquistar as pessoas e afirma que tem notado uma mudança no perfil de quem procura seus cursos. “Antes, as turmas eram formadas basicamente por homens. Hoje, já posso afirmar que 40% dos meus alunos são mulheres.”

O educador financeiro diz, ainda, que as mulheres têm assumido o protagonismo das finanças da casa. “Cada vez mais capacitadas e ganhando bons salários, as mulheres estão despertando para a gestão de seu próprio dinheiro e buscado meios de fazer render suas economias.” De acordo com o especialista, a mulher costuma ter um perfil mais conservador para os investimentos, priorizando a segurança ao final do investimento do que arriscando obter (ou não) maiores lucros ao entrar na Bolsa de Valores. “É muito comum vermos mulheres investidoras optando por aplicar seus rendimentos em fundos previdenciários, títulos do tesouro direto e em fundos multimercado”, explica.

Para se tornar uma investidora, a pessoa precisa primeiro dispor de uma reserva de segurança, que nada mais é do que ter guardado o equivalente a, pelo menos, seis vezes o valor gasto para manutenção mensal da família. “Com essa reserva em mãos, já podemos orientar, diante da necessidade do tempo de resgate e do perfil do investidor, quais são as opções mais rentáveis para essa pessoa”, detalha Bruno.

O especialista também orienta que o investidor fique atento às taxas e aos custos operacionais cobrados pelos corretores financeiros, assim como aos tributos que incidem na hora do resgate. Todos esses valores serão descontados do montante final, representando, em alguns casos, perda de ganho contabilizado no tempo em que o dinheiro ficou investido.

Por fim, no momento da projeção de ganhos e da escolha da modalidade de investimentos, é preciso verificar em quanto sua rentabilidade supera a taxa de inflação. Fundos que ficam abaixo da inflação não acompanham a valorização dos produtos e serviços. “A educação financeira conduz à liberdade financeira. É um processo pelo qual você passa de uma pessoa preocupada com o dinheiro para uma pessoa ocupada em fazer render o seu dinheiro e, com isso, obter a tão sonhada estabilidade diante das oscilações do mercado”, arremata o educador.