Peças em metal, autorais, impactantes e de expressividade. Todas essas são características do trabalho de Eleonora Alencastro Veiga Hsiung, de 39 anos. Formada em Direito, a designer de acessórios goiana tem pós-graduação em Fashion Design pelo Istituto Europeo di Design. “Logo que me formei fui para Paris. Morei lá e depois na Holanda por dois anos. Até então, não concebia uma profissão fora das tradicionais, como Direito, Medicina, Jornalismo, etc. Isso em 2002, numa época em que a gente não sabia o que estava acontecendo do outro lado do mundo em tempo real. Mas quando mudei para Paris minha cabeça explodiu. Vi que era possível viver de criatividade.”

Quando retornou ao Brasil, Eleonora se questionou ainda mais sobre sua profissão de formação. “Eu me perguntei o que sabia fazer além do Direito. Lembrei que durante o colégio sempre fui considerada a ‘japa fashion’ e percebi que gostava daquilo. Aí entendi que, para entrar na área criativa, teria de ser assim, com identidade, para acrescentar. Comecei criando roupas para as amigas, mas, como sempre tive um gosto bastante ousado para os, então, padrões goianienses, percebi que seria mais fácil fazer as pessoas ousarem nos acessórios. E foi aí que essa odisseia deliciosa começou”, lembra.

A designer refere-se ao surgimento da marca Eleonora Hsiung Acessórios, que começou a se desenhar em meados de 2009. “Comecei fazendo assemblage, a boa e velha montagem. Ia a Campinas, comprava material e montava peças, mas desde essa época não queria o material convencional. Eu não buscava peças em loja de montagem de bijuteria, ia a ferragistas procurar porca e parafuso. Arrancava os tacos de madeira do chão da minha casa, pegava estilhaço de vidro em vidraçaria, enfim, tinha uma vontade muito grande de fazer diferente do que já se fazia. Então, pouco a pouco, entendi que meu caminho passava pela bancada de ourivesaria, onde se tem a liberdade de criar algo desde o começo.”

Do trabalho com metais preciosos surgiu a primeira coleção, Tour de Force, em 2011. “Nessa época, eu ainda trabalhava sozinha, mas, para tudo que dizia respeito a vendas, pedia ajuda para a Ju, a Julliana Araújo. Sou uma negação para me vender e ela é uma águia. Por isso foi muito natural que nos tornássemos sócias, porque a Ju se apaixonou pelo que estava nascendo”, diz.

O início

A marca surgiu pequena e foi aparecendo, ganhando espaços. E, desde a primeira coleção, a resposta dos clientes foi positiva. “Começamos no fundo de uma galeria de arte. Depois, fomos para uma loja improvável, em uma galeria comercial na Rua 90. Ao mesmo tempo, juntei as peças numa sacola e fui, na cara dura, bater nas portas das lojas que eu mais admirava em São Paulo. Para minha surpresa, elas amaram e quiseram ter minhas peças. Então, posso dizer que tive a sorte de vender nas lojas mais legais de São Paulo e do Rio de Janeiro já na primeira coleção.”

Logo após, Eleonora e Julliana receberam o convite de levar a marca para dentro de um grande shopping de Goiânia. “Em 20 dias, construímos a loja que se tornou um marco na história do local. Até hoje as pessoas se lembram da famosa loja preta, que ninguém entendia se era uma loja ou galeria de arte. De lá, viemos para nossa sede, no Setor Marista, espaço que as pessoas costumam definir como um pedaço de São Paulo ou Nova York em Goiânia. Temos essa vocação cosmopolita e sabemos disso.”

Outra coisa que enche a designer de orgulho é o público conquistado pelo atelier. “Colaboramos para formar em Goiânia um público que consome statement jewelry. As pessoas de cidades maiores aceitaram nossas peças desde o começo, mas aqui era curioso ver que as mulheres tinham certo receio de ousar tanto quanto propúnhamos. E aí entra o extremo talento da Ju, que é de conversar e entender a cliente, dar a segurança de que ela pode, sim, ousar. Falo com humildade, mas com orgulho em crer que ajudamos a construir a ideia de que acessórios podem ter significado, podem contar uma história, mais que adornar um corpo. E hoje as pessoas sabem que a cada coleção queremos levá-las para um mundo que criamos, tanto que nos nossos lançamentos propomos experiências para que as pessoas façam uma imersão no nosso universo inspiracional.”

Ainda referindo-se aos clientes, Eleonora ressalta que os que se interessaram pela marca desde o início sempre se mantiveram fiéis a eles, ao longo dos anos, foram se unindo novas pessoas, que aceitaram vestir uma joia de autor. “Além disso, nos dois últimos anos, lançamos a linha EH à Porter, destinada às meninas mais jovens e que tem preço único para qualquer peça, e a linha EH en Or, de peças em ouro. Então, nosso espectro de clientes, que aliás há alguns anos já incluía homens, aumentou bastante. E também fazemos peças sob encomenda, que é um dos trabalhos de que mais gosto. A pessoa, casal ou o grupo de amigos vem aqui com a história que quer contar por meio da joia. Após horas de conversa, eu transformo aquele sentimento, ideia e desejo em uma joia única”, explica.