Irritação, coceira, vermelhidão, fotofobia, sensação de areia nos olhos, desconforto após ver TV ou ter passado longo período em frente a um aparelho eletrônico. Estes são alguns dos sintomas de quem sofre com a síndrome do olho seco, que afeta milhões de pessoas no mundo e tende a piorar em época de clima seco. Além disso, por conta da falta da chuva, o ar fica mais poluído, o que também pode afetar os olhos. 

“Em casos moderados, são habituais as sensações de corpo estranho, prurido, queimação e hiperemia (congestão sanguínea) conjuntival moderada. Os sintomas pioram à tarde ou à noite e são intensificados pelo vento, pela fumaça e pela leitura prolongada”, explica o oftalmologista e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO), Roberto Limongi.
 
De acordo com o médico, a síndrome do olho seco atinge milhões de pessoas ao redor do mundo, chegando a 11% da população na faixa etária dos 30 aos 60 anos, e acima de 15% em pessoas com 65 anos ou mais. “É uma das queixas oculares mais comuns e pode desencadear outras doenças, como a úlcera de córnea e até a perda de visão”, alerta o especialista.
 
As mulheres estão mais suscetíveis à enfermidade porque o estrogênio, associado ao controle da ovulação e ao desenvolvimento de características femininas, é um dos responsáveis pela predisposição ao ressecamento de mucosas dos olhos, da boca e do órgão genital.

Causas

Segundo o presidente da SBCPO, as causas da síndrome do olho seco variam e podem ir além da mudança das condições climáticas e da exposição excessiva aos aparelhos eletrônicos. “O problema pode estar ligado a doenças que causam conjuntivite cicatricial grave, como eritema multiforme, tracoma e penfigoide cicatrizante ou aparecer em decorrência de doenças sistêmicas, como esclerodermia, leucemia, linfoma, uso de anti-hipertensivos, antidepressivos, anti-istamicos. Tal qual em condições de alacrimia congênita, aplasia de glândula lacrimal, disautonomia familiar, síndrome de Riley-Day; além de aparecer através de doenças autoimunes como artrite reumatoide, lúpus e síndrome de Sjogren ou, ainda, por envelhecimento, menopausa, tratamentos hormonais e uso de lentes de contato. Cicatrizes palpebrais decorrentes de cirurgia ou trauma podem levar à exposição ocular e à piora do quadro do olho seco”, enumera o oftalmologista. 
 
Tratamentos

Piscar de 15 a 20 vezes por minuto – quantidade ideal para manter os olhos lubrificados – é a primeira dica. “Na maioria dos casos, os sintomas podem ser controlados pela utilização de lágrimas artificiais e pomadas oftálmicas. Já nos mais severos, além dos agentes citados anteriormente, pode-se utilizar a oclusão dos pontos lacrimais. Esse procedimento pode ser realizado por cauterização, laser, suturas, plugs e recobrimento do ponto lacrimal com conjuntiva do mesmo olho. Também pode ser feito enxerto de glândulas lábias no fundo de saco conjuntival para melhora da lubrificação ocular”, completa Roberto Limongi.