Há uma idade limite para fazer tratamento de fertilidade?

A nova atualização das normas do Conselho Federal de Medicina (CFM) para utilização das técnicas de reprodução assistida (RA) no Brasil, ratifica que a idade máxima para participação como doador em processos de RA é de 35 anos para mulheres e de 50 para homens. No caso da transferência do embrião para o útero da paciente, não podem se submeter a esse tratamento mulheres com mais de 50 anos. Exceções devem ser justificadas pelo médico assistente, que deverá embasar sua decisão e ainda comprovar que a interessada está ciente dos riscos aos quais será exposta.

Como é que funciona o banco de sêmen e quais casais necessitam desse recurso?

Os bancos de sêmen no Brasil recebem amostras de sêmen doado, que permanece congelado, constando as características físicas mas preservando a identidade dos doadores. Os casais que precisam recorrer ao banco de sêmen são aqueles em que a causa da infertilidade é o fator masculino com ausência de espermatozoides, os casais homoafetivos do sexo feminino e mulheres solteiras que desejam a maternidade independente

Quanta vezes o paciente pode tentar a fertilização?

Não há um limite no número de tentativas, mas sempre é importante avaliar as condições físicas e emocionais dessa paciente que será submetidas a tantas tentativas.

Toda mulher pode fazer tratamento para engravidar?

Sim, mesmo mulheres que apresentam falência ovariana podem realizar a técnica de RA por intermédio da recepção de óvulos e mesmo mulheres que apresentam alguma malformação uterina ou a ausência do útero poderão ter filhos por meio da cessão temporária de útero, conhecida também como útero de substituição.

Em que pé está atualmente as discussões sobre valores morais envolvidos na técnica?

As últimas normativas do CFM já estabelecem a reprodução assistida como um direito de todos os casais heterossexuais, homoafetivos e pessoas solteiras. Vale destacar que os interessados em participar de processos de reprodução assistida, no Brasil, estão proibidos e podem ser penalizados se for constatado o comércio de embriões, a prática de seleção de embriões por conta de características biológicas e a redução embrionária em caso de gravidez múltipla.

Para muita gente, o custo do tratamento ainda é um impeditivo. De que forma essa questão tem evoluído?

Os planos de saúde não cobrem os custos do tratamento de RA. Nesse caso, os tratamentos são particulares e muitas clínicas privadas realizam programas sociais que viabilizam o tratamento com um custo menor. Também é possível realizar o tratamento em alguns serviços públicos que têm a estrutura de um laboratório de RA.

Fonte: Vinícius Alves de Oliveira, ginecologista e mestre em reprodução humana