O câncer de mama é o tipo mais comum de neoplasia entre as mulheres. Atualmente, ele responde por 28% dos casos ao redor do mundo, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). E foi justamente para conscientizar as mulheres sobre a importância dos métodos de prevenção a essa doença que surgiu a campanha do Outubro Rosa, adotada por muitos países. Mas assim como a importância do autoexame para a prevenção e diagnóstico precoce, também é fundamental lembrar dos cuidados que devem ser tomados após a identificação da doença.

Isso porque, segundo dermatologista Renata Sitonio, a pele e anexos, como cabelos e unhas, são órgãos de impacto após o diagnóstico do câncer de mama, tanto pela própria doença, que debilita o organismo, quanto pelos efeitos colaterais do tratamento. Por isso, são necessários alguns cuidados dermatológicos.

“O diagnóstico do câncer de mama é um choque para qualquer mulher. Com isso, o próprio estresse do diagnóstico já pode ter impactos na qualidade da pele, unhas e cabelos. Durante a quimioterapia, é preciso redobrar os cuidados com a pele, os cabelos, o couro cabeludo e as unhas”, orienta a dermatologista.

Os fios

Renata explica que os medicamentos do tratamento podem levar à queda dos cabelos. Por esse motivo é essencial cuidar da proteção solar do couro cabeludo. O uso de filtro solar com fator de proteção acima de 30 é indispensável para evitar queimaduras. “Abuse também dos lenços e cores. Além de ajudarem a proteger do sol, eles podem contribuir para o estilo de se vestir. Chapéus, boinas e perucas são outras opções. Deve-se evitar, no entanto, colar a peruca no couro cabeludo que pode gerar alergias. É importante também manter a higiene adequada, evitando o risco de infecções”.

A perda dos cabelos pode ser um fator angustiante para pacientes com câncer que estão em fase quimioterapia. Muitas buscam tratamentos para evitar a queda. A dermatologista conta que muitos estudos têm sido realizados com a finalidade de encontrar recursos que previnam a perda ou que façam os cabelos crescerem mais rapidamente. “Até agora, os melhores resultados foram identificados com o resfriamento do couro cabeludo durante a quimioterapia. A ideia do tratamento é que o medicamento usado na quimioterapia não afete tanto os folículos do pelo, prevenindo a queda”.

Esse resfriamento, que ficou mais conhecido após os relatos da apresentadora Ana Furtado, funciona da seguinte forma: uma touca de criogel é aplicada um pouco antes, durante e um pouco após a quimioterapia. A temperatura mais fria faz com que os vasos sanguíneos do couro cabeludo fiquem contraídos. Dessa forma, passará menos sangue, o que, consequentemente, levará menos quimioterápico. “Isso causa menos dano aos fios e os protege da queda. Os resultados são variáveis. Vai depender do esquema quimioterápico usado e da resposta individual de cada paciente”, diz a especialista.

Sobrancelhas e cílios

Neste caso, a maquiagem pode ser a melhor opção, afirma a dermatologista. Produtos específicos para as sobrancelhas podem ajudar a camuflar. Mas atenção: evite compartilhar a maquiagem com outras pessoas e não use produtos velhos ou fora da validade, isso pode ocasionar uma contaminação. Quanto aos cílios, os postiços são uma opção. Dê preferência aos magnéticos, que não usam cola e, dessa forma, evitam a irritação das pálpebras.

Pele

Nessa fase, será comum sentir a pele um pouco mais ressecada do que de costume. Beba bastante água e adote um hidratante para peles sensíveis no rosto e no corpo. “Alguns medicamentos usados no tratamento podem deixar a pele mais sensível e sujeita a manchas. Por isso, não esqueça do filtro solar”.

Unhas

Renata alerta que as cutículas não devem ser retiradas durante o tratamento e, muito menos, se pode usar o material de outra pessoa ou da manicure. “As cutículas servem de proteção. A sua retirada pode ser a porta de entrada para um germe oportunista e, nessa fase, não deve haver brechas. Além disso, alguns medicamentos podem levar à inflamação ao redor das unhas e ao seu descolamento. A retirada das cutículas pode favorecer esse processo”.

Também evite ficar muito tempo com esmalte nas unhas. Isso pode mascarar algum sinal importante nas unhas e dificultar o diagnóstico de uma infecção, por exemplo. Antes de pintar, consulte seu oncologista. Além disso, com a medicação, as unhas ficam quebradiças ou podem sofrer alterações da cor. Nesses casos, a hidratação também é muito importante para mantê-las mais fortes e saudáveis.

Outras regiões

“Outra queixa importante e muito pouco relatada entre as mulheres que estão em tratamento de câncer de mama é o ressecamento vaginal, que causa ardor, dor na relação sexual e até infecções urinárias. São sintomas semelhantes ao da menopausa, que acontecem ou se acentuam por causa dos medicamentos. Há um certo temor em usar estrogênios, indicados para esses sintomas. Isso porque os tumores de mama geralmente são alimentados por esse hormônio. Felizmente, muitos estudos são feitos nessa área. Hoje, temos laser íntimos que apresentam bons resultados e, claro, uso de lubrificantes, géis vaginais, fisioterapia pélvica e dilatadores vaginais”, explica a médica.