Sempre que alguém procura a arquiteta Aline Santos em busca de soluções para ambientes pequenos, ela logo pensa em prateleiras e nichos, mobiliários que driblam as metragens tímidas e ainda ajudam na organização. Enquanto os primeiros, antes destinados a livros e discos, agora cedem espaço para plantas e objetos afetivos, os segundos chamam atenção pela versatilidade, podendo ser usados também como mesas laterais e até criados-mudos. Isto sem contar o fato de que em alguns cômodos eles acabam fazendo às vezes de itens decorativos.

“Os nichos, que mais recentemente invadiram as estantes e até os aparadores deixam as ambientes fluidos e esteticamente mais bonitos”, explica a profissional. Mas antes de sair correndo para uma loja de departamento e comprar nichos do tipo “instale você mesmo”, Aline diz que é preciso levar em conta alguns dicas. “Pessoas que não são tão organizadas precisam lembrar que neste tipo de mobiliário, diferentes de armários com portas, os objetos ficarão à mostra, o que exigirá delas dedicação para manter livros, adornos e bibelôs sempre em ordem.”

A colocação de portas é uma opção para quem escolheu os nichos por sua característica funcional. “Às vezes os utensílios úteis não são esteticamente bonitos, por isso a dica é criar uma composição mesclando móveis abertos e fechado”, ensina Aline. A profissional lembra que também vale pensar sobre a possibilidade de investir um pouco mais e levar para casa ao menos cinco nichos, para que seja possível pensar uma disposição diferente, mais criativa, delimitando espaços, criando contrastes e equilibrando pesos visuais e deixando o ambiente mais organizado.

Todo lugar é lugar

Se engana quem pensa que o universo dos nichos se resume aos “caixotes” que são fixados nas paredes. Na verdade, originalmente, o conceito se referia a cavidades feitas diretamente no concreto, que serviam para abrigar prateleiras ou eletrodomésticos. A intervenção estrutural ainda é bastante utilizada por arquitetos e designers de interiores, que recortam as paredes, por exemplo, para criar estantes, armários, sapateiros, saboneteiras e adegas. “Os nichos nos ajudam a dar movimento e leveza ao ambiente, criar uma espécie de brincadeira entre cheios e vazios”, explica Aline Santos.

Mas se a ideia é facilitar, ou se o cliente não está disposto a lidar com os inconvenientes de uma obra, a arquiteta recorre a versatilidade do mercado moveleiro. “Hoje é possível encontrar diversos modelos de nichos, em diferentes cores, dimensões e formatos. Feitos de materiais como madeira, acrílico e até caixotes. Com portas ou totalmente abertos. Com fundo ou vazados, o que permite uma composição com aquela parede colorida que é o xodó da casa”. Há ainda a opção de instalar os nichos em móveis como o painel da televisão, a cabeceira da cama e o banco da varanda.

Medida certa

Conhecidos na cena da decoração como os melhores amigos dos ambientes pequenos, os nichos aproveitam ao máximo o espaço vertical sem interferir na circulação dentro do cômodo. Por conta desta versatilidade o mobiliário esteve em alta há cerca de cinco anos, perdeu um pouco do brilho diante das estantes suspensas e agora vem recuperando seu lugar nos projetos que têm como objetivo apontar soluções diante de medidas cada vez mais tímidas. A regra básica sugere que o mobiliário tenha entre 10 cm e 15 cm de profundidade. A largura e a altura são definidas levando em conta o espaço disponível e o cômodo que vai receber a peça, além, é claro, de sua função naquele espaço. Na sala, por exemplo, servirá para abrigar livros; na cozinha, taças; no banheiro, sais de banho; e no quarto, porta retratos.

Duplo sentido

Habituada a usar nichos em seus projetos, o lema da design de interiores Lizete Queiroz é destacar a função sem esquecer da forma. Por isso, acaba inserindo o “mobiliário caixote” em composições um quanto tanto inusitadas. Na mão dela, por exemplo, o mobiliário já foi complemento de uma mesa de estudo, apêndice do guarda-roupa e criado-mudo, ao lado da cama. “Não me apego somente ao caráter decorativo, analiso a função também. Quando usado com utilidade, o nicho é atemporal”, defende, citando como exemplo os nichos construídos dentro do box do banheiro, que aparece em sete a cada dez empreendimentos lançados hoje em dia.

Em projetos mais ousados o nicho pode fazer as vezes de mesa lateral, de aparador e até de banco de descanso. Pode aparecer na parte debaixo da bancada da cozinha e até na lavanderia. Peças maiores, em dimensões que ultrapassam os dois metros, servem como verdadeiras molduras para a sala de estar. Outras, embutidas em estantes, dividem ambientes e dão leveza aos cômodos. “Se o objetivo for preencher o ambiente, uma ótima dica é apostar em nichos longos e horizontais, numa espécie de dança de volumes. Para completar a brincadeira, vale misturar diferentes formatos do móvel.”

No mercado é possível encontrar modelos quadrados, redondos, triangulares e até hexagonais. Para os bebês, nichos colocados, estrategicamente, acima dos trocadores. Para o quarto das crianças, há opções que imitam a forma de carrinhos, casinhas e castelos. “Nestes casos eles preenchem o espaço com um ar lúdico e bem infantil, o que é reforçado, por exemplo, pela utilização de peças coloridas, pela sobreposição dos móveis e pela utilização de tecidos divertidos, que podem revestir os nichos. Misturando-se a decoração, cordões de luz, enfeites luminosos e, é claro, bichos de pelúcia.”

Nichos decorados

Coloridos, iluminados, espelhados e recobertos com tecidos que deixam os pequenos notáveis com a cara do dono. As possibilidades para quem pretende apostar nos nichos são imensas. No caso dos iluminados, um dos mais pedidos entre o público mais descolado, a dica de arquitetos, designers e decoradores é investir nas famosas fitas de LED, disponíveis no mercado nas mais várias cores e estilos. “Outra opção para iluminar os nichos são os spots embutidos, que proporcionam um maior conforto visual ao morador”, explica a designer de interiores Jordana Fonsceca.

Se a opção for pelos coloridos ou revestidos, a profissional destaca a importância de testar as combinações visuais antes de instalar o móvel na parede. “As cores conseguem personalizar e trazer mais originalidade ao ambiente, mas também, daqui há algum tempo, podem não mais representar aquela pessoa. Um ótimo caminho, então, é lançar mão destes aplicativos que simulam mudanças em casa ou desde o início já optar por nichos neutros, investindo em adornos de tons mais vivos. Assim, se um dia o morador se cansar daquela tonalidade poderá guardar o bibelô na gaveta.”

Estante suspensa

Se você é do tipo mais “modernoso” pode trocar o nicho por uma outra sensação do momento: a estante suspensa. Ao ser instalada no teto ou ainda na parte superior da parede, a estante pendurada libera a área do piso para a circulação e deixa o ambiente menos carregado. Para evitar o visual pesado, a dica é criar uma estrutura com desenho simples e, de preferência, sem portas. Chapas de madeira e hastes metálicas são os materiais mais indicados para a construção desses modelos. Quando interligada, a dupla oferece charme, dinamismo e praticidade ao ambiente.