Longe de padrões e sempre em busca de desafios. Essas são algumas características de uma lutadora. E quando dizemos lutadora, queremos dizer literalmente isso mesmo. Afinal, estamos falando de Sarah Frota, uma goiana que tem brilhado em cima dos octógonos. Conhecida como "A Treta", Sarah, de 31 anos, assinou contrato com o Ultimate Fighting Championship, o famoso UFC, em setembro do ano passado, após se destacar no programa "Contender Series Brasil", exibido pela Rede Globo, com uma vitória por nocaute.
 
Ganhar destaque, aliás, é algo muito presente na carreira da lutadora, já que atualmente o cartel de Sarah é formado por nove vitórias e nenhuma derrota. Tanto sucesso talvez esteja relacionado ao fato de o esporte sempre fazer parte de sua vida. “Pratico desde muito nova por incentivo dos meus pais. Eu sempre fui ativa e ansiosa, então o esporte era para segurar um pouco esse meu ímpeto. Me lembro de ter feito artes marciais na escola, judô e karatê. Um pouco mais velha, já com uns 14 anos, pratiquei capoeira”, conta.
 
Foi apenas aos 21 anos que Sarah encontrou o jiu-jitsu, algo que com certeza mudou a vida da atleta. “Atribuo o meu sucesso ao trabalho que realizo há mais de dez anos no jiu-jitsu. Também confiro crédito ao meu professor Henryque Pofahl, meus treinadores da Astra Fight Team, que são o Marcelo Brigadeiro, Alexandre Guerra, Jeferson Fajardo e Tim Rusberg e, claro, aos meus empresários Rafaela Paulino e Glauber.”
 
Em Goiânia, Sarah também se aventurou em cima dos palcos. Ela cantava e tocava na banda de hardcore "Resistentes". Além disso, ainda dividiu o palco com os grupos "DeadFish" e "Ratos de Porão". “Eu praticava artes marciais antes da música. Passei um tempo longe e quando voltei a procurar alguma luta foi por querer aprender uma defesa pessoal e para melhorar o meu estilo de vida. Mas nunca larguei a música. Em breve, devo lançar algo na área novamente”, adianta Sarah.
 
Antes disso, fará sua estreia no UFC. A primeira luta de Sarah na principal competição desse esporte está marcada para o próximo dia 2 de fevereiro, em Fortaleza. O duelo de "A Treta" será contra outra brasileira, Livinha Souza, pela categoria peso-palha. “As coisas melhoraram muito para as mulheres nas artes marciais, mas ainda existe muito preconceito, principalmente para mulheres fora do padrão como eu. Mas não me vitimizo. Sou forte e desafios grandes são destinados a pessoas grandes”, garante.
 
Confira mais um trecho da entrevista exclusiva de Sarah para Ludovica:
 
- Podemos dizer que “treta" é uma palavra bastante goiana. Qual o motivo do apelido?
 
É um trocadilho com a palavra atleta. No começo da minha carreira no jiu-jitsu muitas pessoas falavam que eu não iria virar nada, pois não tinha postura e nem perfil de atleta. Então, um dia, um grande amigo meu brincou: "mas a Sarah não é atleta. Ela é a treta" (risos). Foi assim que tudo começou.
 
- O que representa para você chegar ao UFC?

 
Tudo. Meu sonho, os sonhos dos meus professores, patrocinadores, amigos e família. Representa chegar ao maior evento do mundo e mostrar que pessoas diferentes existem e merecem reconhecimento.
 
- Qual é a expectativa para a estreia?
 
Sempre a melhor possível. Será uma luta insana, de muita emoção, porrada e luta de solo, como sempre. Do jeito que a galera gosta!
 
- O que você diria para meninas e mulheres que têm vontade de lutar MMA, mas têm receio?
 
Diria para elas não terem medo de se arriscar, que somos tão fortes quanto os meninos. Nunca duvidem do próprio potencial, porque se eu consegui chegar, todas podem conseguir também. Acreditem nos seus sonhos e trabalhem para que eles se realizem. De resto, deixem que o universo conspire a favor.