A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) estima que cerca de 10 milhões de brasileiros tenham algum grau de incontinência urinária, problema que causa a perda involuntária de urina e que afeta duas vezes mais as mulheres. Ainda de acordo com a sociedade, cerca de 30 a 40% das mulheres com mais de 40 anos apresentam algum grau de incontinência. 

Conforme o médico urologista Rafael Buta, da Aliança Instituto de Oncologia, apesar de ser mais frequente em pessoas mais velhas, a doença pode aparecer em todas as idades. Ele explica ainda que essa condição pode ser classificada como incontinência aos esforços, incontinência de urgência ou incontinência urinária mista. 

“A primeira é aquela em que o paciente perde urina quando realiza alguma manobra que aumenta a pressão dentro do abdômen, como tosse, espirro, gargalhadas e, nos casos mais graves, quando pega peso, sobe escadas ou levanta-se de uma cadeira”, pontua Rafael. Ainda de acordo com o médico, esse tipo é muito mais comum em mulheres e tem como principais fatores de risco gravidez, obesidade e constipação intestinal. Em homens é incomum, podendo ocorrer após operações para tratamento de doenças da próstata. 

Já a incontinência de urgência pode ser causada por outro problema, a bexiga hiperativa, que atinge em média 12% de todos os homens e mulheres. "A sua incidência aumenta muito com a idade, podendo chegar a 80% nas pessoas com mais de 80 anos. Um terço dos pacientes com bexiga hiperativa apresenta incontinência", diz Rafael. 

Por último, a incontinência urinária mista é quando o paciente apresenta tanto a incontinência aos esforços quanto a incontinência de urgência. “Crianças e adolescentes também estão sujeitos a apresentar incontinência urinária. Porém, nessa faixa etária, essa condição é muito mais rara e geralmente está associada a alguma malformação neurológica congênita”, esclarece. 

Tratamento
 
De acordo com o especialista, o tratamento para o problema inclui fisioterapia e mudança de hábitos de vida. Mas, em casos mais específicos, como de bexiga hiperativa, em que os sintomas persistem após a fisioterapia, pode-se lançar mão de medicamentos que reduzem os sintomas. Pacientes com incontinência aos esforços podem precisar de cirurgia se houver falha no tratamento fisioterápico.