As mulheres passam por várias fases hormonais ao longo da vida. Há alterações o tempo todo e o organismo vai se adaptando. Segundo a nutróloga Heloise Helena Medeiros, o eixo hormonal deve sempre estar em equilíbrio, porém ele é influenciado por medicações, estresse, padrões alimentares e exercícios físicos. “As mulheres têm um eixo hormonal mais elaborado do que os homens. Por isso são de manejo mais complexo. No geral, o ápice hormonal acontece aos 25 anos. Em torno de 30 a 35, começa um declínio mais acentuado da progesterona em relação ao estrogênio. Isso já gera mudança no humor e disposição, que vai se tornar mais acentuada após a menopausa”, diz. Confira a entrevista com a especialista.
 
1) O que muda após os 40?

A mulher é um turbilhão hormonal. Após os 40, há uma maior acentuação da predominância do estrógeno em relação à progesterona. Isso está associado a alterações sistemáticas no organismo feminino. A queda do estrogênio resulta em queda da serotonina, que é um neurotransmissor relacionado ao controle de humor. Além disso, gera mudanças no padrão de acúmulo de gordura: passa a ser de padrão mais abdominal. Há também queda acentuada no metabolismo, resultando em dificuldade no controle de peso e aumento do risco de doenças cardiovasculares.

2) Quais são as principais consequências?

Essas alterações hormonais podem, ainda, resultar em alterações do sono, memória e piora do desempenho cognitivo. Além disso, pode haver perda óssea, que faz com que o risco de osteoporose aumente progressivamente.

3) Quando a reposição hormonal é necessária?

A reposição hormonal deve sempre ser avaliada de forma individual, pesando risco e benefício. Deve-se avaliar indicações e contraindicações de forma muito meticulosa, uma vez que a reposição não é isenta de riscos. Uma entrevista médica detalhada associada a exames físicos, laboratoriais e de imagem deve compor a avaliação para a adoção da melhor estratégia disponível.

4) O que podemos fazer para suprir as alterações de níveis hormonais?

O estilo de vida exerce uma influência muito grande nos níveis hormonais. A alimentação adequada e os exercícios físicos já são grandes aliados do bom funcionamento hormonal. Há pacientes que se beneficiam de alguns suplementos nutricionais. O arsenal terapêutico é amplo e, em casos selecionados, podemos dispor de reposição hormonal. Ela pode ser feita de várias formas. A mais recente, que está sendo bem estudada, é a reposição por meio de implantes subcutâneos. Dessa forma, conseguimos uma liberação mais constante dos hormônios, mimetizando mais o funcionamento do corpo.